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Campanha da Fraternidade 2017 traz reflexão sobre a proteção dos biomas brasileiros

Publicada em: 3 de março de 2017

Com o tema “Biomas brasileiros e a defesa da vida”, a Campanha da Fraternidade (CF) 2017 foi lançada nesta quarta-feira (1º), em Brasília, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A ação pretende chamar atenção para a importância de proteger a diversidade dos biomas brasileiros, promover relações respeitosas com a vida, o meio ambiente e a cultura dos povos que vivem nesses locais.
Os materiais da campanha, que existe há mais de 50 anos, já estão disponíveis para download neste link (https://goo.gl/Ku1qgL). Os instrumentos – adesivos, cartões postais com oração, folhetos quaresmais, entre outros – servem para nortear as discussões sobre o tema da CF 2017.
O Padre Marcus Barbosa, da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), deixa sua reflexão sobre a Campanha da Fraternidade no texto abaixo. Confira.

Cultivar e Guardar a Criação – A Campanha da Fraternidade 2017

A Campanha da Fraternidade (CF), realizada pela Igreja Católica no Brasil, há mais de 50 anos, é um sinal vivo de profetismo da Comunidade dos discípulos missionários de Jesus Cristo. Sem profetismo, anúncio e denúncia, renegaríamos a nossa missão de batizados, “sal da terra e luz no mundo” (cf. Mt 5, 13-14). Por isso, agradecemos ao Espírito de Deus que, mais uma vez, através da Campanha da Fraternidade, impulsiona as nossas Igrejas e a sociedade para uma verdadeira conversão ao Evangelho da vida no empenho pelos direitos e dignidade de todas as pessoas e pela busca de uma convivência fraterna entre os povos, na diversidade e unidade de toda Criação. A CF é uma voz que grita no deserto da indiferença e da passividade que nega a escutar o clamor de Deus no clamor dos pobres, chamando-nos todos à Vida plena na misericórdia, na justiça, na alegria, na diversidade reconciliada, verdadeiros sinais de paz.

“Biomas brasileiros e defesa da vida”! “Cuidar e guardar a criação” (cf. Gn 2, 15)! Tema e lema da CF 2017 em estreita sintonia e continuidade com a Campanha da Fraternidade ecumênica de 2016, “Casa comum. Nossa responsabilidade”. Mais uma vez, somos todos envolvidos na Campanha da Fraternidade. Convocados a nos sentirmos responsáveis pela sua proposta. Ela é convite de conversão para todos nós. Não dá para encontrarmos apenas alguns “culpados” pelo descaso e destruição da Criação. Sempre bom lembrar: é caminho de conversão para todos! Também para nossa amada CESE! Reafirmemos e renovemos nosso compromisso como instituição que há mais de 40 anos se dedica, com discernimento, resistência profética, espiritualidade enraizada no Evangelho e na vida, em sua missão de fortalecer organizações da sociedade civil, especialmente as populares, empenhadas nas lutas por transformações políticas, econômicas e sociais que conduzam a estruturas em que prevaleça democracia com justiça.
Estamos no caminho apontado pela Campanha da Fraternidade e sabemos que precisamos avançar. Coragem. Avancemos, na esperança!

É difícil ao falar da CF 2017 não nos remetermos a um texto inspirador da Carta Encíclica do papa Francisco, Laudato SI’, sobre o Cuidado da Casa Comum. São palavras provocativas, carregadas de sabedoria e compromisso: “Temos de reconhecer também que alguns cristãos, até comprometidos e piedosos, com o pretexto do realismo pragmático, frequentemente se burlam das preocupações do meio ambiente. Outros são passivos, não se decidem a mudar os seus hábitos e tornam-se incoerentes. Falta-lhes, pois uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que os rodeia, todas as consequências do encontro com Jesus. Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial de uma existência virtuosa” (217).

Um eixo fundamental, no caminho da conversão ecológica, proposto nessa Campanha da Fraternidade, é o da íntima relação entre os pobres e a fragilidade do planeta. Tudo está estreitamente interligado no mundo: a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender economia e progresso, o valor de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a responsabilidade da política, a cultura do descarte e a proposta de um novo estilo de vida. Só podemos encontrar soluções que mudem de modo global a lógica do atual desenvolvimento explorador e predatório se agirmos juntos e de comum acordo.

Ouso dizer, ao terminar, que para um tema que abraça um leque tão grande, rico e complexo de reflexões, que o mais essencial dessa Campanha da Fraternidade 2017 é nos propor a recuperação de um olhar contemplativo diante da extraordinária beleza e diversidade da natureza existente no Brasil. Recuperar esse olhar que sabe admirar, contemplar os variados biomas brasileiros e seus povos originários, recordando-nos da obra criadora e pródiga de Deus! Aqui se encontra a fonte e origem de transformações profundas e reais! Se não cultivarmos um olhar contemplativo e não formos tocados pela magnanimidade e bondade do Criador dificilmente teremos ações, gestos, palavras e sentimentos de cultivadores e guardadores da obra criada que incidam em reais e profundas mudanças políticas, sociais, ecológicas e humanas a favor da preservação da natureza e da vida e cultura de nossos povos.

“Dá-nos, Senhor, um olhar contemplativo como o de Maria e as mãos laboriosas de Marta”!

Pe. Marcus Barbosa Guimarães.




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