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CESE e CONIC divulgam nota pública sobre o processo eleitoral

Procedei como filhos e filhas da luz. E o fruto da luz

é toda espécie de bondade e justiça e de verdade (Ef 5.9).

 

Estamos em pleno processo eleitoral, período de debates, reflexões e exercício da cidadania. Novamente o povo brasileiro renova suas expectativas de que poderá participar na construção do país a partir de suas mais profundas aspirações.

Nas ruas e na mídia os candidatos e as candidatas apresentam suas propostas de continuar políticas públicas redutoras de pobreza. Também vemos as alianças partidárias acontecendo, com o objetivo de mais recursos para as campanhas e aumento do tempo na mídia. Muitas destas alianças não apresentam a preocupação com coerência programática. O critério que geralmente orienta estas alianças é a pergunta pelo melhor caminho para garantir a vitória eleitoral. Também vemos candidatos e candidatas procurando legitimar-se através do apoio de lideranças religiosas. Os espaços sagrados tornam-se uma espécie de novo palanque. Para tanto, o discurso político é adequado conforme a percepção de mundo do fiel a ser conquistado. Nesta busca, pautas e agendas relevantes para ampliação de direitos humanos são facilmente colocadas em segundo plano.

Repudiamos a instrumentalização da fé pela política eleitoral. Sabemos que para cada aliança estabelecida há a negociação de interesses e acordos que visam estabelecer garantias de privilégios para grupos religiosos específicos, em detrimento do bem comum. A tentativa de obter o voto do maior número de fiéis desta ou daquela comunidade esvazia e empobrece o discurso e debate políticos. Da mesma forma, valores religiosos são manipulados para legitimar percepções de mundo que nem sempre são coerentes com a esperança de que todas as pessoas têm direito à vida digna.

Lamentamos que ainda prevaleça o financiamento privado de campanhas políticas que geram compromissos danosos para a sociedade brasileira, reforçando a lógica de uma cultura patrimonialista na relação com o Estado. Também lamentamos o fato de que muitos grupos sociais continuarão sendo sub- representados.

Como organizações vinculadas a Igrejas e que acreditam que a democracia significa uma sociedade que garante direitos e oportunidades a todas as pessoas, afirmamos nosso compromisso com um Estado Laico e com:

a) A reforma do sistema político para garantir que os processos decisórios não se deem apenas pela via eleitoral, pois o exercício do poder deve estar alicerçado na soberania popular com democracia participativa;

b) A conscientização da população de que o poder econômico e outras formas de acordos não podem definir as eleições e nem comandar o mundo da política;

c) O aprofundamento da democracia plena. O processo eleitoral deve ser permeado por questões centrais que garantam a qualidade da democracia em nosso país;

d) A adesão à convocação dos movimentos e demais organizações que interpelam a sociedade brasileira a engajar-se no plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e na defesa do Projeto de Lei de Iniciativa Popular para a Reforma Política.

 

Vargem Grande Paulista, agosto de 2014

COORDENADORIA ECUMÊNICA DE SERVIÇO – CESE

CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL – CONIC