Marcha Mundial Celebra Centenário do Dia Internacional das Mullheres (05/03/2010)
No Brasil, a Marcha Mundial de Mulheres reunirá três mil feministas em um trajeto que vai de Campinas a São Paulo sob o lema “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”
Em 2010, a Marcha Mundial das Mulheres (MMM) organiza sua 3ª Ação Internacional, que este ano será realizada em dois períodos: de 08 a 18 de março e de 7 a 17 de outubro. O primeiro período, que marcará o centenário do Dia Internacional das Mulheres, será de marchas. O segundo, de ações simultâneas, com um ponto de encontro em Sud Kivu, na República Democrática do Congo. Este ano, o evento contará com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. No Brasil, a expectativa é de que 3 mil mulheres de vários estados do país participem da Marcha das Mulheres, em uma caminhada de Campinas a São Paulo, com paradas estratégicas em diversas cidades para realização de cursos de formação.
O tema da Marcha Mundial das Mulheres em de 2010 é “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”, e sua plataforma se baseia em quatro campos de atuação: Bem comum e Serviços Públicos, Paz e desmilitarização, Autonomia econômica e Violência contra as mulheres. Cada um desses eixos se desdobra em reivindicações que apontam para a construção de outra realidade para as mulheres em um âmbito mundial. “A marcha é uma atividade de denúncia, reivindicação e formação que visibiliza a luta feminista contra o capitalismo e por uma solidariedade internacional”, declara Thamy Radomili, da MMM/SP. Thamy destaca a importância do apoio a todas as mulheres, independente de nacionalidade. “A cultura machista é perpetuada em qualquer lugar do mundo. Nisso não há diferença. A denúncia das mulheres do mundo inteiro é a mesma. Por isso é urgente que se acabe com essa cultura de violência e agressão ao corpo feminino”, declara.
“A Marcha Mundial de Mulheres nasceu em 2000 como um evento de grande visibilidade pública internacional e hoje esta organizada em 50 países,
com a Secretaria Internacional sob responsabilidade do Brasil”, comemora Viviane Hermida, Assessora de Projetos da CESE. Agora em março, período da primeira atividade da Ação Internacional, três mil mulheres estarão organizadas no país, em delegações presentes em todos os estados integrantes da Marcha Mundial de Mulheres (MMM). Ao todo, serão dez dias divididos entre de caminhadas pela manhã e atividades de formação à tarde.
Os cursos e oficinas da Marcha abordarão temas como: trabalho doméstico; saúde da mulher e práticas populares de cuidado; autonomia e liberdade; educação não sexista e não racista; economia solidária e feminista; soberania alimentar, reforma agrária e trabalho das mulheres no campo; agroecologia; biodiversidade, energia e mudanças climáticas; políticas de erradicação da violência doméstica e sexual; tráfico de mulheres etc. Em Perus, município de São Paulo, no dia 16, o debate sobre paz e desmilitarização contará com a presença da filha mais velha do revolucionário Ernesto Che Guevara, a pediatra cubana Aleida Guevara. Confira a programação completa
Ainda como parte das atividades no Brasil, no centenário de aniversário do Dia Internacional da Mulher (08/03), um grande ato público em Campinas marcará o lançamento desta 3ª Ação Internacional da MMM. No meio da caminhada (13/03), está prevista uma outra ação pública, em Várzea (SP), onde será lançado o livro sobre o histórico do 8 de Março. No encerramento, em São Paulo, as caminhantes farão um balanço das ações e planejarão os seus próximos passos.
A CESE e a Marcha Mundial de Mulheres
A CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) por entender a importância dessa ação de força internacional, apoia, este ano, com recursos do seu Programa de Pequenos Projetos a Marcha Mundial das Mulheres. Também apoiou a ida de uma delegação do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MMTR-NE) para participação na atividade.
Viviane Hermida, Asssesora de Projetos da CESE, valida a participação do MMTR-NE como uma forma de manter as mulheres sintonizadas com as grandes lutas. “Certamente, é um momento-chave para fortalecer a conexão com as lutas feministas”, declara. A assessora de projetos chama atenção também para a manifestação de solidariedade às mulheres de longe. “Marchas e ações simultâneas se encontrarão no Congo (de 7 a 17 de outubro). Isso é muito importante por que os conflitos armados na região, aliado as práticas machistas, têm impulsionado estupros coletivos de meninas e mulheres como "arma de guerra", declara.
Para o Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste, a participação nesta atividade fortalece as lutas feministas no campo e na cidade, ao tempo em que colabora com a mobilização de suas integrantes, possibilitando maior participação política na busca por direitos e no cumprimento de sua cidadania. “O apoio da CESE, bem como de outras organizações, foi muito importante para viabilizar a nossa participação. Levaremos 63 mulheres de 9 estados”, declara Margarida da Silva (Ilda), Secretária Executiva do MMTR-NE. Ilda lembra que a marcha não é apenas uma comemoração do 8 de março, mas é uma oportunidade de se unirem para fortalecer a luta. Ainda como parte das atividades, no dia internacional da mulher, lideranças do MMTR-NE entregam oficialmente ao governador de Pernambuco uma proposta de plano de políticas públicas para as mulheres rurais.
Sobre a Marcha Mundial das Mulheres
A Marcha Mundial das Mulheres nasceu em 2000 como uma grande mobilização contra a pobreza e a violência. Naquele ano, as ações começaram justamente em 8 de março e terminaram em 17 de outubro (Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza), organizadas a partir do chamado “2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista”.
A inspiração para a criação da Marcha partiu de uma manifestação realizada cinco anos antes (em 1995), no Canadá. Na ocasião, 850 mulheres marcharam 200 quilômetros, pedindo, simbolicamente, “Pão e Rosas”. A ação marcou a retomada das mobilizações das mulheres nas ruas, fazendo uma crítica contundente ao sistema capitalista como um todo. Ao seu final, diversas conquistas foram alcançadas naquele país, como o aumento do salário mínimo, mais direitos para as mulheres imigrantes e apoio à economia solidária.
Histórico de ações internacionais
A Marcha Mundial das Mulheres já realizou duas ações internacionais, em 2000 e 2005. A primeira contou com a participação de mais de cinco mil grupos de 159 países e territórios. No ano de lançamento da Marcha, as militantes entregaram à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, um documento com 17 pontos de reivindicação, apoiado por cinco milhões de assinaturas. A segunda ação mundial, em 2005, novamente levou milhares de mulheres às ruas. A Marcha construiu a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, em que expressa sua visão das alternativas econômicas, sociais e culturais para a construção de um mundo fundado nos princípios da igualdade, liberdade, justiça, paz e solidariedade entre os povos e seres humanos em geral, com respeito ao meio ambiente e à biodiversidade. De 8 de março a 17 de outubro daquele ano, as feministas construíram uma grande Colcha Mosaico Mundial de Solidariedade, composta por um retalho de cada país. Tanto a carta quanto a colcha viajaram por 53 países e territórios dos cinco continentes.