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Morena não, eu sou negra!
(30/07/2009)

O Dia da Mulher Negra e Afro Caribenha (25 de julho) será comemorado na Paraíba com uma Campanha de Promoção da Identidade Negra. A Bamidelê – Organização de Mulheres Negras na Paraíba, que há 11 anos trabalha pela igualdade racial, lança no dia 30 de julho, a campanha com o objetivo de contribuir para a afirmação da identidade negra e ampliar o debate sobre as relações raciais na Paraíba.

 

Com o lema “Morena, não. Eu sou negra”,  a Campanha de Promoção da Identidade Negra vai durar três meses, reunindo diversas atividades. O evento prevê duas rodas de diálogo sobre Afirmação da Identidade Negra nas universidades estadual e federal da Paraíba. No evento de lançamento, será lançado o livro Gente negra na Paraíba Oitocentista, de Solange Rocha, uma das fundadoras da Bamidelê. A abertura acontece às 19h, no Cine Bangüê (Espaço Cultural), em João Pessoa, e tem o apoio da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço.

 

Na Campanha, estão previstas a produção e distribuição de peças de comunicação, vídeos (com Chico César como protagonista da campanha) e um concurso de redação para estudantes de escolas públicas. Mas vai acontecer também uma ação diferente e criativa, uma blitz realizada em oposição direta à atuação racista da polícia brasileira. “A campanha é importante e tem ações bem interessantes. A Blitz étnica, por exemplo, será feita nos ônibus para contrapor as blitzs feitas pela polícia que, na maioria das vezes, agridem e constrangem especialmente os homens negros”, declara Lucyvanda Moura, Assessora de Projetos da CESE.

 

A Blitz étnica será realizada de agosto a outubro no terminal de passageiros de João Pessoa. “A idéia é sensibilizar os passageiros para as situações que evidenciam o racismo, mas não ficam explícitas”, explica Kristina Lima, uma das coordenadoras executivas da Bamidelê, que reforça a necessidade de construção de uma nova imagem do negro na sociedade. “A gente não se vê representado nos espaços de poder, de cultura, de lazer e em muitos outros, o que colabora pra que muitas pessoas negras rejeitem a sua cor”, afirma Kristina.

 

Ainda no mês de agosto, a articulação da Campanha planeja, como mais uma estratégia, a realização de duas sessões especiais na Câmara Municipal de João Pessoa e na Assembléia Legislativa da Paraíba para discutir a implementação de políticas públicas de promoção da igualdade racial.

   

Dados do racismo

 

Sobre a Bamidelê

 

 

Dados do racismo

 

No Brasil, a garantia da igualdade racial enfrenta desafios e são muitos os dados que ilustram isso. A pesquisa de opinião realizada pela Fundação Perseu Abramo (FPA) revela que 87% dos brasileiros reconhecem que há racismo no país. No entanto, dados do Manual contra o Racismo apontam que 96% da população não se assumem racistas.

 

Na Paraíba, estado em que será realizada a Campanha de Promoção da Identidade Negra, a Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílio (PNAD) de 2007 aponta que 63,3% da população é formada por pessoas que se identificam como negras, mestiças ou pardas. “Apesar de figurar como maioria, essa etnia ainda não se encontra representada de forma igualitária nas universidades, nem no mercado de trabalho”, declara Kristina Lima, uma das coordenadoras executivas da Bamidelê.

 

 “A afirmação da identidade negra na Paraíba tem um contexto bastante desfavorável. A luta pelas cotas raciais no estado é bem ilustrativa disso”, declara Viviane Hermida, Assessora de Projetos da CESE. Em 2008, o movimento negro paraibano sofreu uma grande derrota na garantia do sistema de cotas raciais para o ingresso na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). “A legitimação da questão do racismo como um problema social deve estar na agenda pública - da sociedade e dos governos”, complementa.

 

 

 

Sobre a Bamidelê

 

A Bamidelê busca visibilizar a luta anti racista mantendo ações concretas em três municípios, com distintos segmentos: Alagoa Grande, no quilombo Caiana dos Crioulos; Santa Rita, junto à Associação Mulher Centro; e em João Pessoa, junto a estudantes de duas escolas públicas da periferia. Também vem atuando influenciando as políticas públicas, como na questão da mortalidade materna. A ação do grupo culminou em dois Termos de Ajustamento de Conduta - em âmbito municipal e estadual - visando à prevenção e investigação de mortes maternas. A instituição integra conselhos municipais e estaduais de direitos das mulheres e é a única organização de feministas negras com personalidade jurídica no estado.

 

As ações da Bamidelê objetivam o resgate da auto estima e afirmação da identidade étnico racial da mulher negra, de adolescentes e jovens negros(as), como também o fortalecimento da luta por políticas públicas que promovam a igualdade racial.

 



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