Rede de Mulheres Rurais lança livro na CESE

 

Através das histórias de vida de 22 mulheres rurais, uma rede de proporções continentais foi tecida. Iniciada na Argentina em 1990, a Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe – Rede LAC se consolidou em 1996, em Fortaleza, num encontro com 230 lideranças rurais de 100 organizações, de 21 países. Hoje, são mais de 250 organizações e cerca de 25.000 mulheres participando da Rede. O livro Uma história muito linda tenta contar esta trajetória através do relato de 22 integrantes da Rede LAC. O lançamento do livro acontece no dia 15 de julho (terça), às 17h, no auditório da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Rua da Graça, 164, Graça), com a presença de alguns personagens do livro. O evento é aberto ao público.
 
O lançamento em Salvador é uma iniciativa da Rede LAC com apoio da CESE, da Fundação Avina e do CRIA (que participa do evento com uma apresentação do grupo de jovens CRIA Poesia, sobre os relatos registrados no livro). A publicação Uma história muito linda foi editada em versão bilíngüe (português e espanhol) pela Rede LAC em parceria com o Museu da Pessoa, a Fundação Avina e apoio da CESE. Foram impressos dois mil exemplares em Recife, vendido a R$40,00 (quarenta reais).
 
A Rede LAC articula diferentes grupos, organizações e movimentos de mulheres rurais em todo o continente. Atua na defesa dos seus direitos, divulgando suas lutas, formulando propostas e contribuindo para a eliminação de todas as formas de violência e violação dos seus direitos. Em 2006, 10 lideranças da Rede se reuniram em São Paulo, compartilharam fotos, documentos pessoais, suas histórias e as memórias sobre a Rede LAC. Elas utilizaram a metodologia do Museu da Pessoa, instituição criada no Brasil com o objetivo de contribuir para a valorização pela sociedade das histórias de vida de cada indivíduo.
 
De volta a seus países, estas 10 mulheres foram em busca de mais histórias e realizaram outras 12 entrevistas. Ao final, foi criado um acervo inédito de 22 depoimentos transcritos e revisados pelas próprias mulheres, depois traduzidos e transformados em matéria-prima da publicação, que tem entre seus objetivos dar visibilidade à realidade da mulher rural, ampliando a sua capacidade de incidência e transformação social.
 
“Para nós, esta é a história de milhares de mulheres rurais espalhadas na América Latina e Caribe, com sua força e alegria, suas opressões e lutas por transformações pesoas e coletivas”, conta Vanete Almeida, coordenadora da Rede LAC . Perpetuando a Rede LAC e uma das personagens do livro. Para ela, este registro é um incentivo para que toda mulher rural valorize sua história de vida, de sua comunidade e sua organização. “O livro é um patrimônio único e valioso para as mulheres, nossos filhos e netos e para as novas gerações. Buscamos revelar ao mundo a trajetória da mulher rural – há séculos tão desrespeitada e desconhecida em nossos países”.
 
Segundo Eliana Rolemberg (Diretora Executiva da CESE), já é histórica a relação da CESE com o movimento de mulheres trabalhadoras rurais no Brasil. Ao longo dos seus 35 anos, a CESE vem apoiando pequenos projetos de produção, capacitação e divulgação institucional, além de iniciativas de articulação entre os estados e com outros países. “A articulação com lideranças da América Latina e Caribe é essencial para a Rede LAC, pois, além de empoderar a sua atuação, dá uma dimensão mais política, continental, às suas reivindicações. Além de continuar lutando localmente pela melhoria da qualidade de vida das mulheres do campo, a Rede passa a ter a possibilidade de uma ação transformadora na efetivação dos direitos específicos das mulheres”, afirma Eliana.
 
Para Neylar Lins (representante da AVINA Brasil – Nordeste), existe um quadro de invisibilidade do tema das mulheres trabalhadoras rurais da América Latina e Caribe  nas agendas governamentais (políticas públicas específicas) e do terceiro setor (em termos de investimento social), apesar do enorme contingente que representam e do quadro de exclusão social em que se encontram. Por isso, a Rede LAC pode se configurar como uma plataforma humana internacional de escuta, articulação e amplificação das vozes destas mulheres.
 
O trabalho e as iniciativas, como o lançamento do próprio livro, podem contribuir para isto.  “A Rede tem um grande potencial para reforçar e estimular sua capacidade de luta, de denúncia, de enfrentamento das questões de gênero e condição social, bem como de mobilização e engajamento das novas gerações e de espaço de levar ânimo para outras mulheres mostrando que é possível lutar por seus direitos”, disse Neylar.
 
 
“Esta é uma grande oportunidade de podermos, juntas, compartilhar nossas experiências. Perceber a história e também a mudança. Servir de motivação para que outras mulheres possam se organizar e criar consciência de seus direitos”
                                   Antonia Del Carmen, Nicarágua