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Roda de Conversa reúne indígenas e representações ecumênicas na Catedral Anglicana, em Brasília

Publicada em: 20 de abril de 2017

A luta pelo direito ao território tem dizimado dezenas de indígenas todos os anos no Brasil. Dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) mostram que em 2015, 54 indígenas foram mortos em disputas territoriais no país. Estes povos originários buscam incansavelmente que o Governo demarque as terras para que empresários e fazendeiros não se apossem e destruam o território indígena.

Com espírito de enfrentamento que representantes de cinco etnias indígenas – Xukuru, Guajajara, Guarani, Wapichama e Bororo – se reuniram na Roda de Diálogo pelo Bem Viver, promovido pelo FEACT (Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil), na tarde desta quarta-feira (19), na Catedral Anglicana, em Brasília.

O objetivo da roda foi refletir sobre a ameaça, e em muitos casos as perdas, de direitos constitucionais vividos pelos indígenas no país. A tarde foi iniciada com a apresentação de cantos e ritos pelas tribos representadas. Logo após, os/as índios/os tiveram espaço para expor suas dificuldades enquanto povos tradicionais.

“O índio não existe sem a terra. Estamos lá para manter nossas tradições e nossos encantados, que são ancestrais. Infelizmente, algumas lideranças indígenas têm sido compradas para não lutarem mais pelo território, mas nossa terra não se vende, ela faz parte da nossa cultura. Nos matam quando retiram nossa terra. O tekohá é sagrado e precisa ser reconhecido”, iniciou o cacique Kamuu Dan, da tribo Wapichama.

A diretora da CESE, Sônia Mota, lembrou o compromisso do FEACT em visibilizar as lutas desses povos. “O contexto que está se passando nos territórios indígenas é muito perigoso. Acho importante que as igrejas aqui representadas escutem de vocês (índios/as) essa situação. Porque a gente precisa ouvir para levar para dentro das nossas comunidades qual será o nosso compromisso diante da situação que vocês estão enfrentando”.

A indígena Teresinha Togojebabo mostrou indignação com o que tem vivido. “Eu não quero que meus filhos passem pela mesma situação que eu. Deus nos deu o rio e a terra para sobrevivermos, mas hoje precisamos vender artesanato para comprar o peixe porque nos tiraram da nossa terra. Ainda não enxergaram que nós somos os maiores preservadores da natureza. Onde o índio planta, pode-se plantar várias vezes”, afirmou.

“Não mataram todos nós ainda porque resistimos. O que afeta mais nossos direitos é a falta de demarcação das terras. A gente não tem nem mais madeira para fazer uma horta, estão acabando com todas as árvores. Não sabemos o que será do nosso futuro. Queremos a demarcação do Noroeste e só pedimos que continuem lutando com nós para demarcar as terras”, finalizou o Cacique Francisco Guajajara.

O Noroeste a qual o cacique Francisco se refere é conhecido como “Santuário dos Pajés” e fica localizado na área central de Brasília. O local passou a ser palco de disputa entre os índios e o Governo do Estado, após este licitar a área para construção civil.

Após as declarações dos indígenas, foi lançado oficialmente o site da Missão Ecumênica Guarani Kaiowá (http://www.mecumenicaguaranikaiowa.org.br/). O site conta com informações e relatos das duas missões ecumênicas realizadas pela CESE, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD) e o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) no Mato Grosso do Sul. Além disso, o local abriga notícias sobre a situação dos povos indígenas em outras regiões do país na luta pela demarcação territorial.

Participaram do evento representantes da CESE, CONIC, Koinonia, Igreja Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Igreja Metodista, Comunidade Fé Baha’i, Fundação Luterana de Diaconia, REJU, Igreja Sírio Ortodoxa de Antioquia e Aliança Anglicana. A roda de conversa foi encerrada com falas de apoio pelas representações presentes e o compromisso de continuarem unindo forças pela causa indígena no Brasil. Confira mais fotos aqui: https://goo.gl/Uouifd
A atividade teve o apoio da agência Heks Eper.




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