Salvador, Bahia, Brasil | 22 de maio de 2013
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A CESE nasceu do sonho de promover e garantir a defesa de direitos, justiça e paz. Para isso, assumiu o compromisso de fortalecer as lutas dos movimentos sociais por transformações que assegurem uma sociedade justa e democrática.
Em quase quatro décadas de trabalho, a CESE já apoiou mais de 10 mil projetos de organizações populares em todo o Brasil, numa média de 400 projetos apoiados por ano. Com isso, a CESE já contribuiu para melhorar a qualidade de vida de aproximadamente 9,5 milhões de pessoas.
Falar sobre a CESE é falar de transformação social. Por isso, a sua história só pode ser contada no plural, com a participação daqueles que fizeram e fazem parte da sua trajetória.
"Eu creio que a CESE, em seus quase 40 anos, mostrou fidelidade e continuidade. Fidelidade em apoiar os projetos da base, especialmente aqueles ligados aos Direitos Humanos, mas os Direitos Humanos na perspectiva dos pobres, que é o direito à vida..."
Leonardo Boff (Teólogo / Filósofo / Escritor)
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"Em 1992, depois do acontecimento mais importante de nossas vidas - a estréia da Banda AfroReggae - não tínhamos nenhum espaço para reuniões, encontros ou ensaios. Acreditando no potencial do Grupo Cultural AfroReggae, a CESE investiu no aluguel de uma sede para nós, apoiou o Jornal AfroReggae Notícias e as nossas ações em Vigário Geral. Esse suporte foi fundamental e estratégico no momento em que todos nós éramos voluntários e militantes de sonhos e utopias. A CESE é um grande portal para que entidades como o Grupo Cultural AfroReggae possam alçar grandes vôos e se estruturem para lutar em prol de um mundo mais justo."
José Júnior (Coordenador Executivo do Grupo Cultural AfroReggae)
"A CESE esteve e está fortemente presente na nossa história. Se hoje, a ASA está à frente de um dos maiores programas de acesso à água potável para famílias do semi-árido brasileiro e se projeta como organização chave em debates de construção de políticas para o semi-árido, as raízes desta grande conquista estão fortemente ligadas à CESE. Isso acontece quando a CESE apoia os grupos, os mais variados, em suas experiências, minúsculas às vezes, mas fortemente significativas; quando provoca e apóia os processos de intercambio, de troca de experiências; quando apóia suas manifestações públicas e denuncia as mazelas, os erros e desvios do poder público em relação ao semi-árido e, ao mesmo tempo, aponta os caminhos que devem ser seguidos. Apoiar este processo de construção coletiva de políticas, sem se apropriar indevidamente do mesmo é, a nosso ver, a cara da CESE."
Coordenação Executiva da ASA (Articulação no Semi-Árido Brasileiro), rede que reúne mais de 3.000 organizações da sociedade civil.
"Quando a justiça decidiu que a Raposa Serra do Sol seria nossa por inteiro, muitos disseram que nós não saberíamos manter o arroz que os brancos deixaram por aqui e íamos morrer de fome por isso. Disseram que ia acabar tudo por aqui e a terra ia ficar improdutiva. Com o apoio da CESE trouxemos agricultores orgânicos do MST que apoiavam nossa luta e nos ajudaram com sementes e um jeito de plantar saudável para nossa terra e para o nosso povo. Para nossas comunidades indígenas este intercâmbio é muito importante, pois traz ânimo e compreensão de que não estamos sozinhos e que podemos produzir melhor e sem agredir o meio ambiente, melhorando nossas vidas sem negar nossa cultura. A CESE está com a gente nessa vitória."
Julio Macuxi, do CIR (Conselho Indígena da Roraima)
A CESE é uma entidade ecumênica, sem fins lucrativos, com sede em Salvador/BA e atualmente é composta pelas seguintes Igrejas:
Através de sua atuação, a CESE beneficia as populações rurais e urbanas de todo o Brasil que vivem diretamente as consequências da extrema desigualdade no país, lutando de forma organizada pela afirmação de direitos individuais e coletivos.
As organizações prioritárias são movimentos sociais populares, associações, sindicatos, grupos de base, cooperativas, fóruns e articulações, organizações não-governamentais de apoio e assessoria ao movimento popular, organizações ecumênicas, setores de diaconia e ação social das igrejas.
| NO ÂMBITO RURAL | sem terras, pequenos produtores, agricultores familiares, extrativistas (seringueiros, quebradeiras de coco, pescadores artesanais etc), assalariados agrícolas |
| NO ÂMBITO URBANO | Moradores de rua, sem-teto, moradores de periferia, pessoas com deficiência, recicladores, trabalhadores do setor informal, trabalhadores da economia solidária, desempregados; |
| EM RELAÇÃO À ETNIA | Povos indígenas; quilombolas; população negra urbana. |
| NA PERSPECTIVA DA FAIXA ETÁRIA | Jovens; crianças. |
Para orientar sua atuação junto aos movimentos e às organizações populares, a CESE estabeleceu quatro políticas referenciais, tendo como marco os Direitos Humanos e compreendendo a relação entre direitos, democracia e desenvolvimento. As quatro políticas - Direito a Terra e Água e Território, Direito à Cidade, Direito a Trabalho e Renda, Direito à Identidade na Diversidade - guardam entre si um sentido de interdependência.
DIREITO A TERRA, ÁGUA E TERRITÓRIO (DTAT)
A CESE reconhece a distribuição desigual de terra e água como um elemento central nas relações de poder no Brasil e, desde sua fundação, tem apoiado as lutas pelo direito a terra e água, considerando toda a diversidade que essa questão comporta, no campo e na cidade. Alguns dos elementos fundamentais dessa política são: o apoio à reforma agrária e à demarcação de territórios indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais, à conservação da biodiversidade, a estratégias de acesso à água para consumo e produção, à agricultura camponesa agroecológica, ao combate ao hidronegócio e à luta pelo acesso à terra urbana, com regularização fundiária.
DIREITO À CIDADE (DIC)
A CESE definiu esta política referencial considerando o grave contexto de violações de direitos nas cidades brasileiras, incluindo a violência urbana, reflexo das profundas desigualdades sociais no país e agravado pelo processo de urbanização acelerada vivido no Brasil a partir da década de 70. Nessa política, a CESE prioriza o apoio a organizações urbanas de atuação local e aos movimentos sociais pela reforma urbana e pelo direito à cidade, compreendido como direitos relativos ao exercício da cidadania e participação na gestão das cidades e os direitos relacionados ao desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental nas cidades, como o direito à moradia e ao transporte público e mobilidade urbana.
DIREITO A TRABALHO E RENDA (DTR)
Reconhecendo o contexto de extremas desigualdades sociais e precarização das relações de trabalho, a CESE definiu essa política tendo como princípios a defesa da vida com dignidade e a afirmação de direitos. A CESE apoia as lutas dos trabalhadores no setor formal, estimula iniciativas no campo da economia dos setores populares e outras ações em prol do desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável.
DIREITO À IDENTIDADE NA DIVERSIDADE (DID)
Essa política parte do reconhecimento do direito à organização a partir de identidades coletivas. Nela, a CESE enfatiza aspectos fundamentais da sociedade brasileira, em especial as desigualdades de gênero, raça e etnia, que, articulados à péssima distribuição de renda no país, estruturam relações sociais marcadas pela injustiça. Assim, alguns dos principais interlocutores dessa política referencial são o movimento de mulheres, negro, indígena e de juventude, além de comunidades tradicionais. Considerando a identidade ecumênica da CESE, também são elementos centrais dessa política a promoção do diálogo inter-religioso e da diaconia ecumênica.
A CESE ocupa um lugar de convergência entre igrejas, agências de cooperação internacional e movimentos populares, o que exige um conjunto diversificado de estratégias de ação, que se reforçam mutuamente para o alcance dos objetivos institucionais:
• Apoio a projetos de organizações populares, movimentos sociais, entidades do movimento ecumênico, redes e articulações, através de vários programas de projetos, por demanda espontânea, editais e chamadas de propostas.
• Diálogo e articulação, através da participação em redes e fóruns estratégicos e promoção de atividades envolvendo igrejas, agências e movimentos sociais.
• Formação de lideranças e grupos populares, por meio de oficinas, encontros, seminários e estímulo ao intercâmbio de experiências.
• Diálogo e relações ecumênicas, promovendo campanhas e consultas; contribuindo com publicações e participando de espaços nacionais e internacionais de articulação do movimento ecumênico, buscando fortalecer a perspectiva dos direitos humanos e o aprofundamento do diálogo inter-religioso.
• Comunicação, manifestando-se publicamente em situações de violação de direitos e divulgando, por meio de seu site e de publicações específicas, as ações dos movimentos sociais e organizações populares para afirmação de direitos no Brasil. Além disso, ações de comunicação buscam ampliar a visibilidade institucional.
• Relações institucionais com as igrejas associadas à CESE, com agências da cooperação internacional e com outras entidades do movimento ecumênico, além de movimentos sociais.
• Mobilização de recursos em diversos âmbitos: agências da cooperação internacional ecumênica, fundações e institutos, recursos governamentais e doações individuais.