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Data: 12.08.22

12 de agosto: Margarida Maria Alves Presente! #DaLutaeunãofujo

A 1ª Marcha das Margaridas aconteceu em agosto de 2000, reunindo 20 mil mulheres, em Brasília. Desde então, mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade continuam marchando por justiça, autonomia, igualdade e liberdade, retornando ao Distrito Federal também nos anos de 2003, 2007, 2011, 2015 e em 2019 – neste último ato, foram cerca de 100 mil Margaridas reunidas. Nos últimos anos, a CESE apoiou a participação de delegações e movimentos de mulheres de diversos estados, incluindo trabalhadoras rurais, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas e indígenas que marcharam na capital do país contra os racismos, machismo, a violência no campo e pela reforma agrária.

No dia 12 de agosto, relembramos a história da mulher que inspirou esse movimento: Margarida Maria Alves, assassinada a mando de latifundiários, em 1983, porque lutava pelas trabalhadoras e trabalhadores rurais, denunciando abusos e violações de seus direitos, cometidos por fazendeiros e usineiros que influenciavam e dominavam a economia e a política, em Alagoa Grande, na Paraíba.

“Porque entendo que é melhor morrer na luta do que morrer de fome”

As palavras são do discurso de Margarida Maria Alves, na comemoração do 1º de maio de 1983, em Sapé. A líder sindical parecia antever que poucos meses após este discurso, os latifundiários da região tentariam calar sua voz.  A vida de Margarida foi interrompida brutalmente, em 12 de Agosto de 1983, por volta das 17 horas, com um tiro de espingarda que atingiu seu rosto. O crime aconteceu na porta de sua casa, em frente à sua família, em Alagoa Grande, no Brejo da Paraíba.

A motivação foi política. Margarida era uma imparável defensora dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores agrários, durante os 12 anos em que esteve à frente da presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, lutou contra a violência no campo, pelo fim da exploração dos camponeses e pela reforma agrária.

39 anos após o assassinato, o nome de inspira a resistência de outras mulheres. “Uma mulher camponesa sindicalista, uma grande liderança e uma pessoa que vivenciou importantes transições na igreja, no movimento sindical e eu diria também, a transição de deixar de ser uma mulher dona de casa, trabalhadora do campo, para ser uma mulher do espaço público político. Essa é Margarida Maria Alves”, define a historiadora Ana Paula Romão, autora do livro “Margarida, Margaridas: Memória de Margarida Maria Alves (1933-1983) através das Práticas Educativas das Margaridas”, que conta a trajetória e o legado deixado pela paraibana. O trabalho é fruto da sua dissertação e está disponível para download.

Marcha das Margaridas

Há 22 anos, mulheres de diversos movimentos sociais marcham até a capital federal em homenagem à memória da líder sindical e contra a pobreza, a fome e a violência sexista. “Margarida Maria Alves vive em cada uma de nós mulheres do campo, das florestas e das águas. Ela tem nos inspirado a continuar lutando, defendendo os nossos direitos e enfrentando todos esses desafios que temos no dia a dia”, expressa Mazé Morais, secretária de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores Agrários (CONTAG).

O movimento começou em 2000, com a participação de aproximadamente 20 mil mulheres. Desde então, a cada quatro anos, elas voltam a se reunir nas ruas de Brasília para cobrar políticas públicas voltadas às mulheres camponesas. A última edição, que ocorreu em 2019, contou com a participação de 100 mil mulheres de diversas regiões do país.

“Há 22 anos, a Marcha das Margaridas vem anunciando as bases de um desenvolvimento sustentável, a partir de relações justas e igualitárias pautadas nos valores da ética, da solidariedade, da reciprocidade e respeito à natureza. Margarida nos deixou esse grande exemplo de força, que nós continuamos honrando e nos inspirando”, finaliza Mazé.

Apesar da pandemia, as mulheres continuam em processo de construção e mobilização da sétima edição da Marcha das Margaridas que está prevista para agosto de 2023.

Com informações da Universidade Federal da Paraíba e Confederação Nacional dos Trabalhadores Agrários –  CONTAG