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Data: 29.11.21

Com apoio da CESE, Redemoinho distribuiu 7 toneladas de alimentos agroecológicos durante pandemia

Iniciativa beneficiou agricultores/as baianos/as e distribuiu alimentos para cooperativas de reciclagem de Salvador durante a pandemia

Numa cooperação entre o campo e a cidade, agricultores e agricultoras destinam sua produção agroecológica para catadores de materiais recicláveis de Salvador. Com o objetivo de garantir renda para as famílias de agricultoras/es vulneráveis com a desestruturação dos canais de comercialização durante a pandemia, a iniciativa foi empreendida pela RedeMoinho – Cooperativa de Comércio Justo e Solidário alcançou a marca de 7 toneladas de alimentos distribuídos desde março de 2020.

Na última quinta-feira, dia 25 de novembro, a FEIRA AGROECOLOGICA DO MAB recebeu a visita de representantes das Cooperativas de Catadores e Catadoras beneficiadas com as doações das cestas, a exemplo da Coleta Cidadã, CAMA – Centro de Arte e Meio Ambiente, bem como organizações parceiras e colaboradoras da iniciativa. Esse encontro marcou o encerramento do ciclo de doações, que neste ano contou com o apoio do Programa de Pequenos Projetos da CESE e do Fundo Casa Socioambiental.

Diante do agravamento do cenário social pela pandemia, o projeto nasceu para manter práticas agroecológicas em funcionamento, além de proporcionar suporte aos catadores e catadoras de material reciclável. De acordo com o Eduardo Guimarães, integrante da RedeMoinho, “com o confinamento da população a quantidade de recicláveis diminuiu, os ricos de contágio aumentavam. A situação das catadoras – grande maioria – era duplamente traumática. Por um lado, os problemas com o acesso aos materiais recicláveis por conta da pandemia; por outro, a necessidade de permanecer em casa para cuidar dos filhos pequenos”.

O Brasil alcançou a marca de 19,1 milhões de pessoas em situação de Insegurança Alimentar, tanto no meio urbano quanto no meio rural, segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil.

Ainda em março de 2020, os primeiros passos foram dados com apoio da clientela da RedeMoinho, que doou cestas (para cada cesta comprada no delivery, uma seria doada para catadores e catadoras): a chamada Cesta Solidária. “A RedeMoinho utilizou o pouco capital de giro disponível. A perspectiva de garantir renda no campo e alimento de qualidade a quem mais precisava moveu a equipe.”, explica Guimarães.

Já em 2021, o projeto “FEIRA AGROECOLOGICA DO MAB: AGROECOLOGIA E ECONOMIA SOLIDARIA RELIGANDO E RECONSTRUINDO LAÇOS CAMPO-CIDADE” foi contemplado no Programa de Pequenos Projetos da CESE, permitindo a continuidade do trabalho e das doações de maio a julho – a partir da compra dos produtos pela clientela da RedeMoinho, as cestas foram doadas às famílias em situação de vulnerabilidade.

Importância das Feiras – As feiras são fundamentais na geração de renda e inclusão social de agricultores e agricultoras. Foi por ter esse entendimento que a Rede Moinho, ao lado do Instituto Terapia Corporal Integrado para o Desenvolvimento Humano e Comunitário,  participou da criação de três feiras agroecológicas, que se destacaram  no contexto da agroecologia e da economia solidária: a Feira Agroecológica da UNEB, a da UFBA e a do Museu de Arte da Bahia. Em cada uma dessas iniciativas destacou-se a busca ativa de agricultores e agricultoras, realizado pela equipe da Feira Agroecológica da UFBA.

Na avaliação da RedeMoinho, a promoção das feiras foi muito exitosa e foi muitíssimo afetada pela pandemia, colocando em risco o trabalho desenvolvido há cinco anos, por conta da interrupção das atividades. “A queda na renda das famílias que atuavam na feira foi brutal. As famílias perderam muito. Em primeiro lugar, a perda de parentes e amigos e a saúde de quem ficou meses internado com Covid. Em segundo lugar, as perdas financeiras, com cortes de energia que inviabilizaram a continuidade das atividades nas hortas; necessidade de venda do carro que era utilizado no transporte das mercadorias para as feiras” revela Guimarães.

Com a reabertura do Museu de Arte da Bahia, a Feira presencial foi retomada, com o apoio do projeto “Coopermonte na Feira Agroecológica do MAB”, retomando a geração de renda para os agricultores e agriculturas. Depois do longo período de suspensão das feiras, a situação dos trabalhadores é desafiadora. “A realidade das roças era lastimável: energia cortada por falta de pagamento, carros vendidos ou quebrados, pessoas doentes nas famílias e, sobretudo, descapitalização” acrescenta o ativista.

O suporte da CESE foi importante para viabilizar o transporte de produtos e agricultores para a feira. “Por outro lado, agricultores e agricultoras doaram alimentos agroecológicos que foram destinados às famílias em situação de vulnerabilidade ligadas às Cooperativas de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis” explica Guimarães.

A parceria entre CESE e RedeMoinho é longa, tendo já projetos a exemplo das “Quintas Agroecológicas no Museu”, ação dedicada a popularizar a temática da agroecologia. “A CESE foi fundamental para a existência da RedeMoinho durante todo o período da pandemia. O apoio aos projetos garantiu a continuidade das atividades de comercialização e a doação de cestas agroecológicas” conclui. Práticas como essa ilustram o propósito da economia solidária, que compreende a interdependência entre campo e cidade e busca criar mecanismos para gerar soluções e minimizar problemas.

O projeto além de viabilizar o deslocamento de agricultores e produtos, também possibilitou a  realização de visitas de acompanhamento e sensibilização das famílias de agricultoras e agricultoras, mobilizou catadoras e catadores de materiais reciclados para a participação das atividades da feira, além do compartilhamento dos aprendizados do projeto Feira Solidária com o estímulo à doação de cestas agroecológicas às cooperativas de catadores e catadoras de materiais reciclados.