1º de abril de 1964: o primeiro dia de uma ditadura militar que durou 21 anos
01 de abril de 2024

Conhecido mundialmente como o dia da mentira, 1º de abril é o Dia do Golpe Militar de 1964. O dia, na origem é marcado por mentiras: passaram a dizer que não era um golpe, mas uma “revolução”; e, a mentira maior, na qual muitos/as foram induzidos/as a acreditar e na qual os militares ainda insistem – a de que fora realizado para defender a democracia contra a subversão (comunismo) e a corrupção.
Nesses 60 anos que nos separam do golpe, a CESE não poderia deixar de fazer coro a outras vozes que se colocam em defesa do Estado Democrático de Direito. A afirmação do card acima é do economista José Carlos Zanetti. Ele foi assessor de projetos e formação da CESE e membro do Grupo Tortura Nunca Mais/BA. Zanetti foi preso político durante a ditadura militar. O depoimento foi prestado em 14 de julho de 2014, à Comissão Estadual da Verdade – Bahia, na sede do órgão. Zé, como era carinhosamente chamado, alertou sobre a importância de se lembrar dos povos indígenas e camponeses “mortos às centenas pela ditadura e tão pouco visibilizados’’.
Hoje, o Grupo Tortura Nunca Mais realiza mais uma edição da Marcha do Silêncio, movimento de defesa da memória, em nome dos/as desaparecidos/as da Ditadura, e de denúncia aos 21 anos obscuros vividos no Brasil durante o regime militar.
A concentração será na Praça da Piedade, às 15h, saindo às 17h, caminhando em silêncio, em direção ao Monumento dos Mortos e Desaparecidos Políticos do Período da Ditadura Militar no Brasil, no Campo da Pólvora, em frente ao Fórum Ruy Barbosa.
Para que não se esqueça e que nunca mais aconteça. Resistir e Esperançar: Ditadura nunca mais!
Democracia sempre!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.
Minha história com a CESE poderia ser traduzida em uma palavra: COMUNHÃO! A CESE é uma Família. Repito: uma Família! Nos dois mandatos que estive como presidente da CESE pude experimentar a vivência fraterna e gostosa de uma equipe tão diversificada em saberes, experiências de fé, histórias de vida, e tão unida pela harmonia criada pelo Espírito de Deus e pelo único desejo de SERVIR aos mais pobres e vulneráveis na conquista e defesa dos seus direitos fundamentais. Louvado seja Deus pelos 50 anos de COMUNHÃO e SERVIÇO da CESE! Gratidão por tudo e para sempre!
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.