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Data: 09.12.21

A CESE inaugura um novo tempo ao realizar formação totalmente virtual em mobilização de recursos para quilombolas, avalia participante do curso

Definir as melhores estratégias, planejar as ações, e fazer um uso combinado das ferramentas de comunicação foram alguns dos principais desafios abordados nos últimos encontros da Formação Virtual em Mobilização de Recursos Locais para Quilombolas, realizado pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço em parceria com a Fundação Ford.  A CESE vem buscando fortalecer as capacidades das organizações nesse campo, com o objetivo de contribuir para a construção da sua sustentabilidade política e financeira.

Há semanas, a organização reúne associações e comunidades quilombolas de diferentes estados em um processo de intercâmbio de saberes, socialização de experiências e explanação de conteúdos sobre tema.

Desde o período em que a CESE fortalece grupos nessa área de mobilização de recursos, essa foi a primeira vez que a organização realizou uma formação totalmente virtual. O curso incluiu seis encontros online, produção de podcasts com conteúdos complementares, e acompanhamento de atividades à distância pós-curso. “A CESE começa a inaugurar um novo tempo e uma nova possibilidade de fazer ações que efetivamente trazem resultados para as nossas organizações.”, afirma Magno Nascimento, da comunidade quilombola África (PA).

Para Sabrina Costa, da comunidade quilombola Cristininha em Goiás, o curso foi uma oportunidade de aprendizados e reflexões. Segundo a jovem, as organizações quilombolas têm muita experiência em mobilização social e política, mas quando se trata de mobilização de recursos, as ações não são realizadas de forma estratégica. “Já tínhamos algumas noções de mobilização de recursos e realizamos alguns eventos, mas não sabíamos que havia tantas possibilidades. Estamos aprendendo sobre várias metodologias e técnicas para mobilização de recursos, ferramentas de comunicação e a melhor forma de chegar em nossos apoiadores, colaboradores e voluntários. Há diversas maneiras de trabalhar mobilização de recursos e todas elas dão certo”, descreve a participante com muito otimismo.

                         Exposição dialogada sobre planejamento de mobilização de recursos

Nesse aspecto, Rosana Fernandes, assessora de projetos e formação da CESE, explica que apesar dos múltiplos desafios para existência e sobrevivência, principalmente no atual contexto, o movimento quilombola tem garantido a sustentabilidade das suas ações. Para ela, o curso tem atingido um dos seus objetivos que é o aprimoramento do que já vem sendo realizado pelas organizações: “Esta formação tem valorizado a troca de experiências entre comunidades, que aliadas ao suporte metodológico da CESE, busca fortalecer suas redes de relacionamento, de abrir novas frentes de apoio, além de buscar estratégias de abordagem e fidelização desses parceiros. E desta forma, as organizações passam a ter uma nova perspectiva sobre esse campo de atuação.”, declara Rosana, que também é uma das facilitadoras do curso.

A exposição dialogada junto com vivências em mobilização de recursos e opções de uso de ferramentas de comunicação, sobretudo durante uma solicitação de doação pessoal, foi combinada com atividades práticas.

Reinaldo Avelar interpretou Gilberto Gil como potencial apoiador dos/as quilombolas

Entre as ações, os/as participantes foram convidados a realizar uma abordagem fictícia com potencial parceiro/a, incluindo um encontro com uma personalidade artística: tudo para experimentar como a oratória, combinada com o máximo de informações possíveis e a delimitação do possível apoiador/a, influencia na decisão de quem doa. As pessoas também foram instigadas a refletir suas redes de contato, para que cada grupo tenha ideia das articulações que podem trocar e acessar em parceria.

“Exercitar como a gente chega no/a doador/a foi bastante interessante. Passamos a fazer um treinamento sobre a necessidade da objetividade e síntese. Na maioria das vezes dispomos de realmente de pouco tempo para fazer o pedido. Abre um novo horizonte.” avalia Jorlando Rocha, da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Tocantins (COEQTO).

Pensar a aplicabilidade direta do conteúdo nas ações realizadas pelas organizações foi um dos objetivos alcançados durante o curso. Josivan Alves da Silva, da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), compartilhou a experiência local das feiras livres como possibilidade de fazer o recurso circular dentro da comunidade. Ele explicou a mudança de percepção sobre a importância das ações planejadas para fortalecer a mobilização de recursos:

“Temos muito forte a cultura da oralidade. E essa dinâmica de colocar as coisas no papel está sendo adquirida agora, e o curso está nos ajudando bastante com isso. Fazemos eventos e festas, nos nossos terreiros e nas igrejas, sem planejamento. E muitas vezes gastamos muito e arrecadamos pouco. A gente esquece a previsão do tempo, de colocar responsáveis pelas atividades e de mensurar todos os custos, inclusive os indiretos. Aprendemos dicas importantes para potencializar as nossas ações.”, relata Josivan.

Wilsara Alves integrante da Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida

Remetendo ao início do curso, em que as expectativas do curso foram levantadas, Wilsara Alves de Souza, da Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida, considera que suas perspectivas foram superadas: “Por ser um curso online e por ter um conteúdo novo para minha comunidade que ainda está começando tive certo receio em aceitar o convite. Mas, a metodologia da CESE e o espaço que proporciona para partilha da luta e das experiências nos faz aprender de verdade. Isso me trouxe renovação de forças. Sentirei saudade e saio com meu caderno cheio de anotações e ideias.”, conclui a participante.