CESE recebe Domingos Armani para debate sobre sustentabilidade e lançamento

“Talvez seja a hora de mudar o jeito de agir e de lutar para mudar o mundo”. Esta é uma das direções para qual apontou o consultor em desenvolvimento social e institucional, Domingos Armani, durante o debate sobre sustentabilidade das organizações da sociedade civil, realizado na última quarta-feira (27) na CESE. Acompanhado por cerca de 50 representantes de grupos populares de todo o Brasil, o evento foi seguido do lançamento em Salvador da publicação “Mobilização de recursos locais: o desafio da sustentabilidade”, uma realização da Coordenaria Ecumênica de Serviço em parceria com a Wilde Gazen.

Olhando para o histórico da CESE, Armani relembra do seu passado recente, quando recebia 100% de seus recursos de agências internacionais. “Agora a organização está em transição. Se quer ser sustentável, tem que se reiventar, mobilizar mais recursos no Brasil. E para mobilizar, só fazendo política. Mobilizar recursos é politizador, é convencer a sociedade que o trabalho da organização culmina em benefícios para a construção da sociedade que interessa a todos nós”, explica o consultor.

Se por um lado, acessar recursos públicos hoje em dia é alto risco financeiro e jurídico, na visão de Armani, mobilizar com empresas privadas pressupõe lidar com a visão criminalizadora construída na atualidade sobre os movimentos sociais. “O desafio, então, é procurar apoio de pessoas físicas, cidadãos, mas geralmente quem consegue são grandes organizações. Esse é o desafio: ir a campo, derrubar muros e conversar, dialogar sobre ações que estão em jogo, sair da zona de conforto e conhecimento e se movimentar. É neste espaço que se disputa democracia, apoio”.

Armani coloca também como fundamental a relação com a universidade, influenciar na formação de estudantes, incidir em linhas de pesquisa e extensão, enfatizando que hoje trabalho social também significa comunicar para incidência.

E relembra, em sua fala, como conceitos como cuidado, escuta e afeto não eram tão trabalhados no fazer política na década de 80 como nos dias de hoje.  “Vamos levar mensagem otimista com esse encontro, buscar recursos com corações e mentes das pessoas”, abre caminhos Domingos Armani.

Lançamento

A publicação “Mobilização de recursos locais: o desafio da sustentabilidade” partilha histórias e aprendizados de sete anos de construção e desenvolvimento do Programa Ação para Crianças (iniciativa desenvolvida pela CESE desde 2007 com financiamento de Wilde Ganzen), que conta com dois eixos principais: apoio a projetos e formação. Por meio do apoio a projetos, a CESE estimula os grupos a mobilizarem metade do recurso de que necessitam para realizar seu projeto e em seguida dobra o valor obtido. Já no campo da formação, a organização realiza oficinas sobre o tema mobilização de recursos visando ampliar a capacidade dos grupos para que busquem autossustentação financeira.

“O programa chegou a CESE como um ganso desajeitado”, brinca a diretora-executiva da CESE, Sônia Mota, fazendo analogia à tradução em português do nome da agência holandesa (“Gansos Selvagens”) para refletir sobre o desafio de incorporar a dinâmica da mobilização de recursos locais. José Carlos Zanetti, assessor de projetos, complementa Sônia, exemplificando uma das reverberações da iniciativa: “Além dos projetos apoiados pelo Ação para Crianças, a parceria da CESE com o Instituto C&A é filhote do APC, com mais 45 do Programa de Desenvolvimento Institucional, que nasce desse processo de dupla participação. A metodologia propiciou grupos a descobrirem potencialidades que não conheciam e não era acessado”, comenta.

A consultora do Programa, Lucyvanda Moura, considera que uma das maiores riquezas da publicação são as experiências dos projetos apoiados. “Esperamos que vocês possam beber um pouco e levar elementos que ajudem a entidade a reiventar sua sustentabilidade institucional e financeira”.

Domingos Armani finaliza, enaltecendo a importância da concretização de publicação nesse segmento, e provoca: “Quanto dessa riqueza de iniciativas é sistematizada para fundamentar argumentos, essa sistematização que nasce da prática para fundamentar argumentos na disputa de visões? Não basta ser do lado do bem, mas é preciso sistematizar até como processo de conhecimento”, instiga o consultor em desenvolvimento institucional.

Encontro

A noite ainda contou com a apresentação de esquete teatral do Grupo Bumbá, organização do bairro de Pituaçu (Salvador) apoiada pela CESE que atua na formação artística, cultural e de cidadania da juventude da região.

A programação integrou o calendário de atividades do Encontro de Avaliação do Programa Ação Para Crianças, realizado entre os dias 27 e 28 na CESE, com intuito de reunir organizações apoiadas pelo programa para avaliar a sua dinâmica e identificar seus aprendizados no campo da mobilização de recursos, bem como sistematizar recomendações dos grupos para a CESE.


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