Jovens do Subúrbio Ferroviário recebem Roda de Diálogo do OJU OMO

A Rodada de Diálogo do Projeto OJU OMO – Olhar da Juventude encheu de cultura (atrelada à incidência política) a manhã do último sábado (20) do Centro Cultural Plataforma (Salvador-BA). Cerca de 50 jovens integrantes da iniciativa expressaram por meio de manifestações artísticas a formação obtida em módulos de formação: uma maneira de socializar, trocar e multiplicar o conhecimento com as comunidades do entorno Subúrbio Ferroviário – especialmente os bairros Uruguai, Rio Sena, Lobato, São Bartolomeu, Ilha Amarela e Plataforma.

As apresentações foram realizadas pelo Movimento de Cultura do Subúrbio (MCPS), um dos grupos apoiados pelo OJU OMU – uma realização da CESE e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em parceria com a Organização Interclesiástica para a Cooperação ao Desenvolvimento (ICCO). O objetivo principal do projeto consiste em reforçar o protagonismo juvenil de setores populares com vistas à integração, participação e a inclusão da juventude, capacitando jovens formadores no acesso a direitos humanos, sexuais e reprodutivos, com enfoque em gênero e raça. Os territórios prioritários desta iniciativa são o Subúrbio Ferroviário, a Península de Itapagipe e a Ilha de Maré.

Esquetes teatrais foram as formas encontradas pelos jovens para abrir as discussões acerca de temas como violência sexual, atuação abusiva da força policial e influência da mídia na construção de identidades de moradores de bairros periféricos.

O papel neutro e objetivo da mídia foi desconstruído por meio do intercâmbio de reflexões dos participantes e as redes sociais foram apontadas como vias para a democratização da informação. “Esse debate é muito importante porque se tem a impressão de que o que se vê na TV é uma realidade dada. E de que forma nossa comunidade é contada? Nos faz refletir sobre como comunicação tem posicionamento, afinal, são seis famílias que decidem o que a gente vai assistir”, destaca Enderson Araújo, do Mídia Periférica. E completa: A TV é uma concessão pública, temos direito de ser vistos. Não se diz que mídia é quarto poder? Então precisamos nos apoderar dos meios”, avalia.

A violência sexual foi outro tópico abordado. Carol Lopes, do MCPS, protagonizou esquete que aborda como a música tem potencial de desvalorização da mulher. “Vejo relações de gênero em que mulher não tem valor, é maltratada. Muitas meninas não sabem que também é estupro se ela não quer fazer sexo”, considera.

Para Ana Vaneska Almeida, coordenadora do Centro Cultural Plataforma, dançar músicas que exacerbam a sexualidade não é exatamente o problema: “a questão é rapaz comprar esse discurso de violência contra a mulher. Para crianças, então, é um crime para a construção do seu imaginário. Primeiramente estão apenas dançando, mas depois incorporam esse discurso”, alerta.

Rebecca Queiroz, selecionada no Programa de Jovens Mulheres Líderes do programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ONU Mulheres, traz à roda sua realidade do Pará. “Não é cultural meninas de dez anos serem barqueiras, ou seja, ficarem das 9h às 18h em embarcações mantendo uma série de relações sexuais em troca de uma lata de querosene na Ilha de Marajó”.

O assessor de formação da CESE, José Zanetti, pontuou diante das colocações como oportunidades de discussão como essa valem a pena. “As provocações dessa roda, como a sobre sexualidade, são importantes porque revelam, como ela vem sendo industrializada e manipulada e como precisamos desconstruir isso. Essa iniciativa dá muita esperança de mudança”, pondera.

Trazer à luz a violência policial em periferias foi ponto da Roda. Enderson Araújo, do Mídia Periférica, fez analogia entre policiais e capitães do mato [negros comandados pelos senhores a caçar escravos] e pontuou a necessidade de desmilitarização da polícia militar e a importância de se pensar a segurança pública para além da criação de bases de segurança (com a implementação de equipamentos culturais também).

Para Ana Laura Lobato, da Secretaria Nacional da Juventude, a grande lição apreendida da manhã foi a forma como os jovens se apropriam da cultura (com incidência) de maneira que faz sentido para eles e reverberam informação e reflexão. As apresentações de capoeira do Grupo Zambelê e a valsa do Sabor da Paixão concluíram o intercâmbio da Roda de Diálogo do OJU OMO no Subúrbio Ferroviário.

 


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