Missão Ecumênica se reúne com procurador chefe da questão indígena de MS

Após um grande ato realizado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, na manhã desta quinta-feira (14), missionários das mais diversas religiões brasileiras, que visitam Mato Grosso do Sul pela segunda vez em uma Missão Ecumênica em apoio aos Guarani Kaiowá, seguiram para uma reunião no Ministério Público Federal de MS com Emerson Kalif Siqueira, que é procurador chefe da matéria indígena no estado.

Na ocasião as lideranças religiosas reforçaram o motivo que as trazem novamente a Mato Grosso do Sul, reforçando a preocupação com o genocídio em curso no Estado e os ataques constantes as comunidades e tekohás.

Em sua fala de apresentação da Missão a pastora Sônia Mota, que é de Salvador e representante da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), ressaltou que é com tristeza, mas com muita força de continuar caminhando com os povos indígenas de MS, que os missionários voltam outra vez ao Estado. “Quando tivemos aqui no ano de 2015, em outubro, tinha acabado de acontecer o assassinato do líder indígena, Simeão Vilharva, agora voltamos a MS com o assassinato do agente de saúde, Clodiodi de Souza, com diversos feridos, resultado dos ataques as áreas de retomada e como cenário se acirrou ainda mais resolvemos retornar, nos abastecer de todas as informações possíveis e voltar para continuar denunciando a situação aos organismos nacionais e internacionais, fazendo todo o possível para dar o apoio necessário a esse povo tão sofrido”, disse.

Os missionários ouviram do representante do MPF, Emerson Kalif, um pouco sobre o cenário de guerra do estado e quais as medidas que vem sendo tomadas pelos poderes constituídos, em especial o Ministério Público. “É muito bom receber esta Missão aqui no Ministério Público, como recebi no ano passado e é de suma importância colaborar para que eles sejam porta vozes da realidade que acontece em MS. Podemos adiantar que o Ministério Público está investigando a fundo as mortes ocorridas e estamos tomando as providências que nos são cabíveis”, afirma.

O Representante do povo Guarani Kaiowá, Adalto Barbosa de Almeida, usou a palavra e reforçou a importância da resistência do seu povo na luta pela terra. “Nós vivemos confinados, não temos espaço suficiente para as nossas famílias viverem, para nós a terra é a mãe, ela dá frutos, ela dá vida e precisamos dela para sobreviver, sabemos que somos os verdadeiros donos dos territórios já reconhecidos, temos mapas, documentação e só estamos batalhando pelos nossos direitos e isso tem custado a vida de muitos guerreiros e guerreiras, pois a arma do homem branco, não é a de fogo, a nossa é a resistência, pois acreditamos na justiça maior”, disse.

Já a professora Ana Sueli, Terena da Aldeia Buriti, reforçou o quanto as mulheres indígenas vem sofrendo com a perda dos seus maridos, filhos, netos e de mais familiares e disse que o povo se unirá na batalha pelos seus direitos. “Nós vamos abraçar os nossos parentes, os Guarani, porque também já perdemos guerreiros nessa batalha e nós, como mulheres que somos, sabemos a dor de ver nossos familiares tombarem nessa guerra desleal. Além disso, é muito bom estarmos no MPF para ressaltar a todos que os indígenas sabem os direitos que tem e que somos muito gratos a essa missão, aos que nos apoiam e lutam ao nosso lado”, conclui.

A reunião terminou com uma benção e um belo canto do povo Guarani Kaiowá e os missionários seguiram para o município de Dourados-MS, região foco dos últimos conflitos e mortes. Nesta sexta-feira (15) eles visitarão algumas áreas de retomada e levarão além da solidariedade, da troca de experiência, algumas arrecadações de cobertores e mantimentos.

Algumas das organizações que compõem essa missão: Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Centro Ecumênico
de Estudos Bíblicos (CEBI) e a Articulação e Diálogo Internacional (PAD) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).


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