Violação de direitos de comunidades pesqueiras do Baixo-Sul é tema de debate em Boipeba

Regiões paradisíacas pouco exploradas têm se tornado alvo de grandes empreendimentos hoteleiros em diversas partes do Brasil. A chegada de desenvolvimento para regiões onde comunidades pesqueiras estão localizadas inviabilizam o modo de vida tradicional desses grupos.
Exemplo disso é o desrespeito aos pescadores do Baixo-Sul da Bahia, mais especificamente das comunidades de Cova da Onça, Moreré, Monte Alegre e Boipeba , que historicamente vivem da pesca artesanal, do extrativismo de frutas e do turismo responsável e estão ameaçadas pelo avanço de grandes negócios.
Apoiado pela CESE, o Instituto de Desenvolvimento de Ações Sociais (IDEAS), em parceria com a Sociedade Assistencial de Moradores Pescadores e Marisqueiras de São Sebastião, realizou durante o mês de maio atividades de fortalecimento e articulação com o objetivo de ampliar o debate sobre os direitos dessas comunidades.

Lideranças de comunidades tradicionais da região, diretas e indiretamente ameaçadas, organizações não governamentais e movimentos sociais da luta em defesa do território pesqueira estiveram reunidos para discutir os encaminhamentos do evento realizado no último dia do encontro com a presença de diversos segmentos da sociedade civil e integrantes do Poder Público com responsabilidades diante dos direitos violados a partir dos empreendimentos.
“A CESE se constitui como um dos principais financiadores de lutas e resistências na Bahia. Mais uma vez contamos com o apoio desta organização para atividades de fortalecimento de laços e empoderamento de comunidades do Baixo Sul ameaçadas de remoção de seus territórios tradicionais” ressaltou Wagner Moreira, do IDEAS.

Vento Forte

Para denunciar as violações de direitos que comunidades pesqueiras tradicionais do país sofrem, o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) viabilizou o documentário Vento Forte, que também teve o apoio da CESE. O documentário foi lançado em Salvador, no último dia 6, com a presença de pescadores artesanais do Recôncavo e do Baixo-Sul e organizações da sociedade civil. Ainda durante o evento, o conselheiro do CPP, William Tavares recitou um poema deixando os presentes emocionados.

Dada à importância do conteúdo uma cópia do filme foi entregue ao Papa Francisco, que mostrou interesse e curiosidade, pelas mãos do Presidente da Comissão Episcopal Caridade Justiça e Paz, Dom Guilherme Werlang durante evento sobre ecologia em Roma.
O filme percorre 22 comunidades pesqueiras e aponta como o avanço da aquicultura empresarial, do turismo predatório e dos grandes projetos traz impactos nocivos para comunidades tradicionais pesqueiras, negando seus direitos e criando conflitos em seus territórios.

O documentário ainda não foi disponibilizado online pelo CPP.

Secaram o Mar de Aral

Rios já não chegam ao mar

É tão triste morrer cedo

Morrer antes de acabar…

O capital põe o dedo

A natureza tem medo

De toda a vida findar

Muitos peixes apodreceram

O mangue virou cimento

Canoas viraram lenha

Que incendeiam o pensamento

Eu vos trago pescadores,

Marisqueiras e suas dores

Aqui para esse momento…

Recôncavo, nossa baía

Todos os santos cercados

Rios de lama e esgoto

Brotam de todos os lados

Indústrias poluidoras

Políticas destruidoras

E um racismo disfarçado,

Exalam amônia e enxofre

Esse é o cheiro do cão

Me disse o velho Djalma:

Havemos de plantar rosas

Em cada palmo de chão

Conflitos com os poderosos

Marinha e polo naval

Com barragens, com eólicas

O que vale é o vil metal,

Os pescadores resistem

Me disse o Mestre Sumido:

O povo negro dá testa,

A noite a gente faz festa

E amanhã vamos pro pau…

E nosso povo dos rios,

Todo povo quilombola

Filhos das águas profundas,

Como a maré, vem e inunda

A luta por território,

Vivem a vida em movimento

Nos dão o peixe alimento

Tomam a história nas mãos

Vão construir a nação

De justiça e igualdade,

No trabalho do seu braço

Reconstroem passo a passo

Um país de fraternidade

… pois juntos fazendo laços

Ocupamos os espaços

Semeamos comunhão,

Testemunhando o amor

Na denuncia do opressor

No anuncio da libertação…

William Tavares, 06.05.2015


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