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Data: 20.09.21

Apoiado pela CESE, Observatório do Racismo Ambiental chega para denunciar ausência de políticas públicas em bairros periféricos de Salvador

Foi lançado na terça-feira (14) o Observatório do Racismo Ambiental (ORA), uma iniciativa da Rede CAMMPI – Comissão de Articulação e Mobilização dos Moradores da Península de Itapagipe e do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) e apoiada pela CESE através do Programa de Pequenos Projetos. O ORA é um espaço virtual de mapeamento das políticas públicas urbanas em Salvador.

O seu primeiro objeto de estudos é a Península de Itapagipe, área que abrange 14 bairros da capital baiana e tem uma população de aproximadamente 170 mil pessoas – maioria de mulheres e negros. Já de início, o Observatório denuncia um número insuficiente de Unidades Básicas de Saúde e uma baixa cobertura de equipes de saúde da família, levando em conta o número de moradores/as da região, dentre outras coisas.

O ORA reconhece que as práticas institucionais são raciais e responsáveis pelo racismo ambiental e os impactos por meio de políticas públicas urbanas de infraestrutura, ambiental, de saneamento, de mobilidade, de regularização fundiária e de crescimento econômico do território segregam e violam direitos humanos da maioria populacional negra na cidade.  Por isso, se constitui como um espaço de participação e produção para desenvolvimento de estudos, análises e proposições de políticas públicas relacionadas a esses temas.

Ao longo do processo de criação do Observatório, a equipe responsável pela execução do projeto passou por contínuos processos de formação: sobre racismo ambiental, estratégias de enfretamento, de pesquisa, mapeamento de políticas públicas de desenvolvimento urbano, aplicação de técnicas de georreferenciamento, levantamento de dados socioeconômicos territoriais, produção de mapas, uso de softwares, entre outros. O resultado disso é o ORA.

Com pesquisas feitas no chão de Itapagipe, a equipe organizou em mapas quantos são e como estão distribuídos variados elementos da Península como escolas – públicas e privadas, informando quais os níveis de ensino ofertados por elas –, pontos de coleta de lixo e de descarte irregular, áreas em que há alagamentos, campos de futebol, espaços culturais, onde estão os CRAS, CREAS, organizações sociais, entre outros.

Raimundo Nascimento, geógrafo mestre em Educação e membro do Setor Executivo de Projetos do CAMA, explica que este momento foi o lançamento do que chamou de “pedra fundamental do Observatório”. O ORA ficará hospedado no site do CAMA. Nos próximos 15 dias, será lançado um paper sobre racismo ambiental baseado na análise dos dados coletados durante a pesquisa feita pelo coletivo.

Para ele, o apoio da CESE potencializa a capacidade de atuação do grupo. “Não temos dúvida de que o compromisso e a responsabilidade da CESE com essa temática são fundamentais não só para nós enquanto organização que produz esse material, mas para a cidade. Salvador perdeu a capacidade de planejamento participativo. Esse instrumento é fundamental e pode ser usado por outras comunidades interessadas em aplicá-lo.”.