CARTA DOS PROFESSORES INDÍGENAS DO SUL E EXTREMO SUL DA BAHIA – Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 10.08.15

CARTA DOS PROFESSORES INDÍGENAS DO SUL E EXTREMO SUL DA BAHIA

Reunidos nos Seminário de Educação Escolar Indígena no território Tupinambá os povos indígenas do sul da Bahia, no período de 31 de julho e 01 de agosto de 2015, refletimos o tema: “Os desafios da Educação Escolar Indígena no atual contexto” e abordamos os eixos: “Educação Diferenciada?”; “Perfil do Professor Indígena” e “Entendendo o Sistema Educacional”. Percebemos a enorme complexidade e os grandes desafios que são hoje colocados para as nossas comunidades no campo desta educação que tem que ser diferenciada e libertadora e para tanto foi reafirmada que a “educação é um direito, mas tem que ser do nosso jeito”.

Já na mesa de abertura foram levantados os graves desafios que os povos indígenas da Bahia encontram para garantir este direito diferenciado. Na análise de conjuntura feita na primeira noite do encontro as preocupações aumentaram ainda mais diante do quadro de ataques aos direitos dos povos indígenas capitaneado pelas forças anti-indígenas do País, e com o aval do Congresso Nacional e a conivência do governo brasileiro.

As reflexões nos levaram a repensarmos no fortalecimento das nossas organizações internas, no nosso papel enquanto educadores libertadores, na construção de uma “escola que queremos” e não uma escola que “recebemos do estado brasileiro”. Na necessidade de fortalecermos as nossas articulações externas com outros lutadores, mas, sobretudo entre nós mesmos.

Na valorização da nossa cultura de nossos “guardiões dos saberes”, percebemos que apesar de termos garantido este direito a uma educação diferenciada na Carta Magna do País e até mesmo em convenções internacionais, a mesma não tem sido respeitada, a exemplo disto, são os diversos processos seletivos promovidos pelos governos estaduais e municipais e até mesmo pelo governo federal; as avaliações das escolas indígenas onde os parâmetros e a dinâmica não respeitam as diferentes realidades e culturas.

Tiramos como encaminhamentos potencializar as agendas já existentes na região para o fortalecimento das lutas conjuntas a exemplo da Jornada Agro ecológica; A Conferência Estadual de Política Indigenista; Nos comprometemos na realização de novos seminários agora de modo especifico para cada povo do sul e extremo sul da Bahia, para tantos os participantes se colocam como agentes multiplicadores dos conhecimentos aqui adquiridos; O agendamento de uma reunião com o Ministério Público Federal de Ilhéus para agilizar demandas da educação escolar indígena do conhecimento do MPF.

Lembramos que este seminário é fruto do Encontro Nacional dos Professores Indígenas do Brasil realizado em outubro de 2014, na cidade de Luziânia- Goiás, onde no mesmo, manifestamos a Excelentíssima Presidenta da República, Dilma Rousseff, as nossas indignações e exigências. Queremos aqui reafirmar todas as reivindicações ali apresentadas.

Animados pela nossa história e incentivados por parceiros e aliados desta luta, ousamos dizer que não queremos ser inclusos neste sistema, que continuamos sendo um “entrave” para o mesmo, pois não queremos ser incluso num sistema que “exclui”, queremos sim, construir o nosso Bem Viver. Queremos ter a nossa própria universidade, onde os nossos saberes serão de verdade respeitados e praticados, temos milhões de anos de história, não precisamos “aprender” com o Estado. Este é o nosso direito e por isto tem que ser de nosso jeito.

01 de agosto de 2015

Aldeia Acuípe de Baixo, (Território Tupinambá de Olivença)