CESE apoia mobilização de grupos para Grito da Pesca Artesanal – Movimentos Sociais | Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 06.12.21

CESE apoia mobilização de grupos para Grito da Pesca Artesanal

Movimentos de Pescadores e Pescadoras Artesanais levaram suas pautas para Brasília | Fotos cedidas pelo MPP de @imatheusalves

 

Mais de 600 pescadores e pescadoras artesanais de diferentes pontos cruzaram o país até Brasília para fazer incidência política por seus direitos, entre os dias 21 e 25 de novembro. Os movimentos foram colocar nas ruas o descontentamento com as políticas excludentes, bem como a degradação ambiental, que afeta diretamente os modos de vida das comunidades tradicionais.  Na agenda de incidência dos/as pescadores/as estava a desburocratização do recadastramento no seguro defeso e repúdio à prova de vida trimestral no INSS, que são exigidas dos trabalhadores, além da reivindicação de medidas de proteção ambiental.

“O Grito da Pesca foi um grande ato promovido a partir dos pescadores e pescadoras artesanais que não concordam com esse modelo excludente, com toda essa conjuntura política que a gente vem vivenciando no Brasil. Nós, pescadores artesanais, não concordamos com esse modelo capitalista, com essas violações e direitos. O Grito da Pesca é o grito por direitos, a favor da nossa liberdade. É um grito de libertação” afirma Josana Pinto, coordenadora nacional do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), organização promotora da mobilização.

Vindos de diferentes pontos do país, os pescadores e pescadoras levaram sua voz para denunciar. “Os pescadores levaram a vontade de fazer luta, a vontade de gritar por seus direitos e muitas denúncias. Denunciar esse modelo capitalista que tem chegado até os nossos territórios, que tem trazido destruição e morte aos nossos territórios. Tem trazido a violação de direitos às comunidades tradicionais” acrescenta a liderança.

Fotos cedidas pelo MPP de @imatheusalves

A agenda de articulação política foi intensa: os movimentos marcharam até o Congresso Nacional e tiveram uma audiência com a Comissão Parlamentar de Direitos Humanos, contando com a presença do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União e representante do Sistema Nacional do Emprego. Na oportunidade, as pautas do movimento foram apresentadas. Também foi articulada uma agenda com o INSS para tratar sobre as burocracias e seguro defeso. “As nossas denúncias vão para além do recadastramento nacional, que fere a nossa autonomia” enfatiza Josana, apontando a importância do diálogo com o Governo Federal para minimizar os impactos da burocracia que afetam a renda da categoria.

Fotos cedidas pelo MPP de @imatheusalves

“Nesse momento, o maior objetivo desse grito para nós, pescadores e pescadoras artesanais, é fortalecer a luta coletiva. Porque temos consciência que fortalecendo a luta, nós permaneceremos garantindo os nossos direitos” afirma Josana. O movimento ocupou as ruas de Brasília, mas também as redes sociais reverberando sua agenda e demandas, dando visibilidade a uma pauta pouco conhecida do público.

Parceria – A parceria com a CESE viabilizou a viagem dos pescadores e pescadoras artesanais do Rio São Francisco, Norte de Minas Gerais para Brasília, bem como de seus aliados e apoiadores do movimento, especialmente das lideranças. “A CESE foi uma grande parceira, uma grande aliada nossa, porque contribuiu muito para que nossa militância pudesse chegar até Brasília e deixar o seu recado para o Brasil. A gente tem que dizer muito obrigada por todo esse apoio, por todo esse companheirismo, pela confiança, por nos apoiar nesse momento e ajudar as lideranças a participarem desse momento histórico, que é, que foi e que continuará sendo o Grito da Pesca” agradece a coordenadora.

Além de falar sobre direitos, o Grito da Pesca também lembrou os fortes impactos ambientais e a degradação dos rios e mares. Nas ruas, lembraram o vazamento de óleo que atingiu o litoral do Nordeste brasileiro, trazendo danos socioambientais ainda não revertidos. Os/as pescadores/as do Rio de Janeiro também levaram para rua reflexões sobre os avanços da indústria fóssil nos mares do estado e como isso afeta a fauna marinha. Também defenderam a soberania alimentar e da democracia.

Fotos cedidas pelo MPP de @imatheusalves

Josana revela que o movimento reforçou a pauta ambiental durante o Grito: “A gente denunciou muitas coisas e reforçou que o meio ambiente precisa de socorro. Nós precisamos preservar nossas matas, os nossos rios e nos ver livres das mineradoras que poluem nossos rios, que matam as pessoas. Também falamos sobre os agrotóxicos que envenenam muita gente e nosso alimento. Então nossas denúncias foram muitas, contra esse modelo capitalista e contra todos esses retrocessos”.

“A gente também traz muito forte que nós precisamos ter segurança em nossos territórios. Ter segurança no nosso território é comer bem, é viver bem, é cuidar da nossa casa comum. Então isso é viver bem e a gente tem essa preocupação com o nosso meio ambiente. É preciso a gente continuar com essa expectativa de que dias melhores virão e que a luta não pode parar” conclui a líder pescadora.