CESE lança sua 19ª Campanha Primavera para a Vida com feijoada e música ao vivo
30 de setembro de 2019



O espírito de solidariedade e bem viver encheu os espaços do Museu de Arte da Bahia com a 19ª edição da Campanha. Com a chegada da Primavera, a CESE renovou seu compromisso ecumênico como serviço das igrejas de apoio à luta por direitos no Brasil. No último sábado (28), foi lançada sua campanha anual Primavera para a Vida, que esse ano traz a discussão sobre a água como uma dádiva divina e como um direito que não pode ser reduzido a uma mercadoria ou a um bem particular.
O objetivo da campanha, que acontece desde o ano 2000, é estreitar e ampliar a relação com as bases das igrejas. “A realização deste lançamento com a tradicional feijoada é não só trazer a reflexão do tema escolhido Águas da Resistência “…porque tive sede e me deste de beber!” (Mt 25,35), mas também mobilizar recursos com a venda da tradicional feijoada”., afirma Sônia Mota, diretora executiva da CESE.



O evento começou ao meio dia com uma a saudação de Sônia, que abriu a feijoada com uma fala sobre os impactos gerados pela violação dos direitos relacionados à agua e a resistência das populações frente aos retrocessos impostos em nosso país. “Todas as pessoas devem ter acesso à água como um direito humano a ser respeitado. No entanto, este recurso está sendo ameaçado pelo modelo de produção que opera na lógica do agronegócio de explorar e mercantilizar.”
Na data, a CESE lançou a publicação: Campanha Primavera para a Vida 2019 – Águas da resistência: Porque tive sede e me deste de beber! Mt.25,35b. O livro é uma realização da CESE com apoio do Centro de Estudos Bíblicos – CEBI que traz relatos de vida sobre violações de direitos relacionados a água. A publicação está disponível para venda no site do CEBI.
A ação reuniu mais de 300 pessoas de diversos movimentos sociais, organizações populares, grupos ecumênicos e a rede de amigos e amigas da CESE. “A CESE continua cumprindo sua missão no sentido de desafiar igrejas e a se posicionar profeticamente em meio a tantas violações de direitos e injustiças”, pontuou Reverendo Bruno Almeida, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
O almoço foi servido ao som de música ao vivo, com as participações especiais: Grupo ABC do Samba, Grupo musical ICIMA- instituto Comunitário de Iniciação Musical & Arteducação e o Coral Mulheres de Alagados. O grupo de mulheres do Centro de Arte e Meio Ambiente, a Associação dos Pescadores e Marisqueiras de Aratu e representantes do Quilombo Rio dos Macacos se somaram à celebração, com a exposição e venda de seus produtos.



A ação segue durante a toda a primavera e ainda dá tempo de você contribuir! Toda a renda obtida com a atividade será revertida para apoiar projetos recebidos pela CESE.
PARA PARTICIPAR DA CAMPANHA
COORDENADORIA ECUMÊNICA DE SERVIÇO – CNPJ: 13.589.270/0001-21
Banco do Brasil Agência: 2799-5 / Conta: 119756-8 / Salvador-Bahia-Brasil
Bradesco Agência: 0592-4 / Conta: 42.144-8 /Salvador-Bahia-Brasil
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
A CESE é a marca do ecumenismo na defesa de direitos. É serviço aos movimentos populares nas lutas por justiça. Parabéns à Diretoria e equipe da CESE pela persistência e compromisso, sempre renovado nesses cinquenta anos, de preservação da memória histórica na defesa da democracia em nosso país.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
Somos herdeiras do legado histórico de uma organização que há 50 anos dá testemunho de uma fé comprometida com o ecumenismo e a diaconia profética. Levar adiante esta missão é compromisso que assumimos com muita responsabilidade e consciência, pois vivemos em um país onde o mutirão pela justiça, pela paz e integridade da criação ainda é uma tarefa a se realizar.