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Data: 19.11.21

CESE recebe Iyá Márcia de Ogum em formação interna para promover o Diálogo Inter-religioso e a desmistificação do Candomblé

No mês da Consciência Negra, a CESE recebe Iyá Márcia de Ogum, Ialorixá do Ilê Axé Ewá Olodumare, em formação interna sobre o Candomblé, com o objetivo de promover o diálogo inter-religioso e desmistificar alguns pontos da religião de matriz africana. Em uma tarde cheia de leveza e troca afetiva, Iyá Márcia discorreu sobre diversos assuntos relativos à sua religião. Falou sobre as diversas formas de organização do terreiro, a hierarquia organizacional e suas funções, significados de algumas expressões, dentre outros.

Iyá Márcia de Ogum, Ialorixá do Ilê Axé Ewá Olodumare

Ela lamentou a apropriação e desrespeito cultural que a religião sofre. “Pegam a nossa pipoca e levam para fora dos terreiros para ‘fazerem uma limpeza’ a qualquer momento. Não existe sequer um procedimento dentro do Candomblé que faça uma limpeza em alguém somente à base de pipoca. Ela é complementar dentro do processo, mas nunca fará tudo sozinha.”, explica a Ialorixá.

Por outro lado, Iyá Márcia pontua que se sente realizada quando promove o diálogo inter-religioso. “Fico feliz quando tenho a oportunidade de desmistificar uma informação equivocada  que alguém teve e defendeu por muito tempo. Quando posso abraçar o outro, chamá-lo de meu irmão e minha irmã. Porque é isso que meu coração faz”. E para fechar, ela afirma que o Candomblé não é apenas uma religião. É um legado cultural.

Um legado cultural que nós herdamos da nossa ancestralidade. Nós podemos perceber a presença desse legado cultural a todo momento das nossas vidas quando ouvimos músicas, quando dançamos, nas cores das vestes de uma pessoa, nas tranças de cabelo que vem do povo negro e indicavam as rotas de fuga dos povos escravizados, na culinária, nos turbantes.  O Candomblé é uma religião brasileira de matriz africana. Veio de África, com meus ancestrais. Minhas rainhas, meus reis” aqui escravizados, finaliza. Após a fala de Yiá Márcia houve um bom debate com a equipe.

A pastora Sônia Mota, Diretora Executiva da CESE, comemorou a realização do encontro, que aconteceu de forma híbrida – com parte da equipe participando remotamente, e outra presencialmente, seguindo protocolos de segurança e higiene. “É muito bom e significativo voltar a ocupar nosso auditório com um debate tão necessário e que vai contribuir para fortalecer a nossa posição em prol do diálogo inter-religioso. A gente se reúne aqui pra aprender, dialogar, quebrar preconceitos e mostrar na prática como diferentes religiões podem dialogar.”.

Bianca Daébs, Assessora para Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CESE, destaca que vivemos esse debate no contexto do mês da Consciência Negra, mas também aliado a diversas causas. “De combate ao racismo, do resgate da sororidade, da construção de uma cultura de paz. E isso faz parte de uma transformação diária. E a educação é parte desse processo. Se a gente se aproxima, se conhece, geramos mais do que respeito. Nós tecemos afeto.”