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Data: 09.12.22

De inseticidas orgânicos a debates sobre racismo ambiental, projeto Racismo e Sistemas Alimentares apoiou diversas iniciativas em 2022

O último dia 30 de novembro foi reservado a um momento de avaliação dentro do projeto “Racismo e Sistemas Alimentares”, executado pela CESE em parceria com o Instituto Ibirapitanga. Representantes dos grupos que participaram das formações e tiveram projetos apoiados ao longo de 2022 se reuniram para compartilhar suas impressões sobre o que funcionou bem, dentro do projeto, e o que pode melhorar em parcerias futuras.

No geral, o objetivo do encontro foi investigar em que os pequenos projetos que foram apoiados pela CESE e executados pelas organizações impactaram em suas comunidades, se contribuíram de alguma forma para a percepção do racismo nos territórios ou tiveram impacto nos sistemas alimentares, além de observar quais foram os principais desafios encontrados no processo de elaboração e execução dos projetos.

Foram várias iniciativas apoiadas. Elas iam do aprendizado sobre como viabilizar a produção de inseticidas orgânicos para uso em hortas e quintais produtivos ao entendimento do que é o racismo ambiental e como ele afeta os povos e comunidades tradicionais. Em 2022, o projeto continuou sendo um ponto de apoio para essas populações. É o que avaliam as/os participantes do encontro.

O projeto também marcou o retorno das atividades presenciais da CESE fora da sua sede. Em maio, grupos de vários estados foram para Brasília participar de um encontro com formação, oficina de elaboração de projetos e um intercâmbio marcado pela visita ao Quilombo Mesquita, lugar histórico com 276 anos e que abriga cerca de 800 famílias.

Agda Moreira, das Mulheres Quilombolas de Minas Gerais Mariana Crioula, destacou que esse foi um momento positivo para as mulheres da sua comunidade e que a troca de conhecimento com as lideranças trouxe uma melhora para a auto estima delas. “Criamos um grupo de coordenação de mulheres, a partir desse projeto”.

Marinalda Silva, do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), falou sobre a importância das formações realizadas a partir do projeto para a aprovação da Lei Babaçu Livre, hoje dependendo apenas de sanção do governo estadual.

Angélica Gonçalves, da Retomada Aty Jovem Guarani Kaiowá (RAJ), pontuou que o projeto contribuiu na mobilização dos jovens a participarem de uma atividade sobre gênero, em sua comunidade.

Temóteo Ferreira, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) elogia, para além dos resultados objetivos dos projetos apoiados, a proporção de autossustentação dos grupos na sua execução. “A gente sabe que as condições das associações, dos movimentos, não são fáceis. Financeiramente, o projeto nos ajuda nessa questão, de podermos ir nas comunidades falar, fazer reuniões”, destaca.

Foram poucos os desafios levantados pelos grupos. Alessandra de Arruda, da Takiná – Organização de Mulheres Indígenas de Mato Grosso, pontuou a dificuldade em conciliar a execução dos projetos com a rotina cotidiana. “É complicado, mas seguimos sempre lutando porque as mulheres precisam desse apoio”.

A pandemia também foi colocada como um grande obstáculo nos processos, tanto pelos impactos na vida pessoal por conta da limitação de mobilidade dos grupos quanto na realização das atividades em modalidade virtual, por conta da dificuldade de acesso à internet. Os prazos também foram uma limitação apontada pelas organizações.