Democracia e comunicação são temas de debate no Seminário Internacional do FSM 2018 – Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 25.10.17

Democracia e comunicação são temas de debate no Seminário Internacional do FSM 2018

A necessidade de sistemas de comunicação democráticos e as lutas contra o cerceamento da expressão foram temas do Seminário Internacional Preparatório para o Fórum Social Mundial (FSM) 2018, realizado nos dias 17 e 18 de outubro, durante o Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.

A abertura do seminário, que tratou de diversos temas de preocupação dos movimentos sociais, ocorreu no Dia Nacional pela Democratização da Comunicação no Brasil, 17 de outubro, e uma mesa foi dedicada ao tema “Democracia e Comunicação: violação à liberdade de expressão e a importância das mídias alternativas”.

Mídia livre; comunicação pública, compartilhada, cidadã e colaborativa; censura e liberdade de expressão foram debatidas com as palestrantes Renata Mielli (FNDC), Bia Barbosa (Intervozes), Rita Freire (Ciranda/Conselho Internacional – FSM), Norma Fernandez (Fórum Mundial de Mídia Livre) e Dina Lopes (TV Kirimurê-Canal da Cidadania), como mediadora.

Rita Freire destacou a importância de uma comunicação estratégica, livre, inclusiva, colaborativa e compartilhada que promova a mobilização da sociedade civil para lutar contra o conservadorismo e retrocessos impostos à população em todo mundo. “Temos que comunicar para mobilizar as resistências e mobilizar para comunicar as resistências”, pontuou.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), em parceria com diversas organizações da sociedade civil, lançou o relatório de um ano da campanha “Calar Jamais!”. O documento tem o objetivo de divulgar o balanço de 66 casos constatados de violações à liberdade de expressão.

Renata Mielli destacou a escolha do Seminário Internacional como a principal atividade, organizada nacionalmente, para marcar a Semana Nacional pela Democratização da Comunicação. “O lema do Fórum social Mundial ‘Um outro mundo é possível’ se construiu em torno de uma expectativa, de uma utopia, de uma luta de que é possível construir um novo mundo. Só que para construir um novo mundo a gente precisa alterar a estrutura de poder da sociedade. Então, pra transformar a sociedade, pra que a gente consiga conquistas é preciso, minimamente, avançar no ambiente de comunicação que temos em nossa sociedade”, ressaltou Mielle.

Para Bia Barbosa, coordenadora do relatório, o golpe sofrido pela presidenta Dilma Rousseff, em 2016, culminou no aumento no cerceamento da liberdade de expressão do povo brasileiro, principalmente, no tipo de violência sofrida. “No contexto de golpe que a gente vive, o que percebemos é que houve uma escalada nesse cerceamento da liberdade de expressão. O relatório traz sete categorias de violações: violações contra jornalistas, comunicadores sociais e meios de comunicação; censura a manifestações artísticas; cerceamento a servidores públicos; repressão a protestos, manifestações, movimentos sociais e organizações políticas; repressão e censura nas escolas; censura nas redes sociais e desmonte da comunicação pública”, destacou.

A palestra de Norma Fernandez, da Mídia Livre, foi norteada pelo grande envolvimento dos meios alternativos de comunicação e de todo “tecido social” argentino na divulgação e nas pressões pela busca do artesão e ativista da tribo Mapuche, Santiago Maldonado.  O artesão estava desaparecido desde o dia 1º de agosto deste ano, quando a Polícia Nacional argentina invadiu o território da comunidade Mapuche, em Cushamen. No dia 21 de outubro, o corpo de Maldonado foi encontrado no rio Chubut, manifestantes fizeram caminhada na Praça de Maio contra a violência do governo de Mauricio Macri,) em Bueno Aires.

O Seminário Internacional do FSM teve dois dias de duração, sete mesas com exposições e debates sobre integração dos povos latino-americanos e da África, lutas por terras e territórios, justiça ambiental, comunicação e democracia, intolerâncias, racismo e xenofobias, revolução dos gêneros, mundo do trabalho, arte e cultura frente ao avanço do conservadorismo. Esses temas foram indicados por organizações do Coletivo Brasileiro e Conselho Internacional entre aqueles que nortearão os eixos de luta para o FSM 2018, que ocorrerá entre os dias 13 e 17 de março.

Por Glenda Lima

Fotos: Stella Oliveira

Comunicação Compartilhada do FSM 2018