Caminhada Pelos Mártires Da Revolta dos Búzios
25 de novembro de 2024
No dia 8 de novembro, diversas organizações sociais e movimentos se uniram em Salvador para realizar a Caminhada em Homenagem aos Mártires da Revolta dos Búzios, evento marcante da luta por liberdade racial no Brasil do século XIX. A caminhada teve como foco central a resistência dos heróis dessa revolução, em especial os jovens Manuel Faustino, Lucas Dantas, João de Deus e Luiz Gonzaga , repetindo o trajeto que fizeram em 1798, quando andaram acorrentados após serem condenados à morte. A multidão seguiu da Praça da Piedade em direção ao Terreiro de Jesus e adentrou a Câmara de Vereadores.
A Revolta dos Búzios foi um dos episódios mais significativos de resistência contra a opressão colonial e a escravidão. Conduzida principalmente por jovens líderes negros, a revolta foi um movimento em defesa da liberdade, inspirado pelas ideias iluministas e pelas revoluções republicanas da época. Mesmo após séculos, o legado dos mártires segue vivo, sendo lembrado como um símbolo da luta pela justiça e igualdade para as populações negras do Brasil.
A atividade contou com apoio de recursos do Programa de Pequenos Projetos da CESE através do Fórum de Entidades Negras. Parte da equipe da CESE esteve presente no evento, reafirmando o apoio à luta pela igualdade racial.

TRABALHO CONJUNTO
Paulo Roberto, vice presidente do Fórum de Entidades Negras reforçou a importância da preservação da memória histórica e do fortalecimento da luta pela reparação dos danos causados pela escravidão. Ele é presidente de uma instituição conhecida como “Os Negões”, um dos blocos afro representados no evento, como Olodum, Ilê Ayê, Muzenza e Malê Debalê.
Ele destaca a importância da articulação entre as diversas entidades e movimentos sociais, para viabilizar ações e projetos que promovam reparação histórica: “A criação do fórum, motivada pela necessidade de reforçar e apoiar movimentos que estavam sendo desvalorizados, deu força a diversas instituições culturais e sociais, como o Olodum, e também ajudou a reivindicar direitos importantes para a comunidade. A caminhada do 8 de novembro é parte disso”
Paulo relembra o apoio da CESE a outros projetos semelhantes, como a Caminhada da Liberdade, que ocorre no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e que traz também o relato sobre a Revolta dos Malês, que remonta a uma história de resistência e reforça a importância de resgatar essas narrativas históricas e de fomentar o reconhecimento do papel fundamental dessas figuras na construção da identidade da cidade.
Programa de Pequenos Projetos
Desde a sua fundação, a CESE definiu o apoio a pequenos projetos como a sua principal estratégia de ação para fortalecer a luta dos movimentos populares por direitos no Brasil.
Quer enviar um projeto para a CESE? Aqui uma lista com 10 exemplos de iniciativas que podem ser apoiadas:
1. Oficinas ou cursos de formação
2. Encontros e seminários
3. Campanhas
4. Atividades de produção, geração de renda, extrativismo
5. Manejo e defesa de águas, florestas, biomas
6. Mobilizações e atos públicos
7. Intercâmbios – troca de experiências
8. Produção e veiculação de materiais pedagógicos e informativos como cartilhas, cartazes, livros, vídeos, materiais impressos e/ou em formato digital
9. Ações de comunicação em geral
10. Atividades de planejamento e outras ações de fortalecimento da organização
Mas se você ainda tiver alguma dúvida, clica aqui!
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Comecei a aproximação com a organização pelo interesse em aprender com fundo de pequenos projetos. Sempre tivemos na CESE uma referência importante de uma instituição que estava à frente, na vanguarda, fazendo esse tipo de apoio com os grupos, desde antes de outras iniciativas existirem. E depois tive oportunidade de participar de outras ações para discutir o cenário político e também sobre as prioridades no campo socioambiental. Sempre foi uma troca muito forte.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Celebrar os 50 anos da CESE é reconhecer uma caminhada cristã dedicada a defesa dos direitos humanos em todas as suas dimensões, comprometida com os segmentos mais vulnerabilizados da população brasileira. E valorizar cada conquista alcançada em cada luta travada na busca da justiça, do direito e da paz. Fazer parte dessa caminhada é um privilégio e motivo de grande alegria poder mais uma vez nos regozijar: “Grande coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres!” (Salmo 126.3)
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
A CESE foi criada no ano mais violento da Ditadura Militar, quando se institucionalizou a tortura, se intensificaram as prisões arbitrárias, os assassinatos e os desaparecimentos de presos políticos. As igrejas tiveram a coragem de se reunir e criar uma instituição que pudesse ser um testemunho vivo da fé cristã no serviço ao povo brasileiro. Fico muito feliz que a CESE chegue aos 50 anos aperfeiçoando a sua maturidade.