Jovens discutem estratégias de defesa dos seus direitos – Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 05.12.16

Jovens discutem estratégias de defesa dos seus direitos

Aproximadamente 200 jovens quilombolas, indígenas, periféricos, rurais lotaram o auditório do SINDAE, em Salvador, no último sábado, dia 03 de dezembro, para o Debate Juventude no Foco – Nenhum Direito a Menos, realizado numa ação conjunta da CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço, em parceria com CIPÓ – Comunicação Interativa, Levante da Juventude, MCPS – Movimento de Cultura Popular do Subúrbio, REPROTAI – Rede de Protagonistas em Ação de Itapagipe e Visão Mundial. Na oportunidade, estiveram presentes representações das mais diferentes localidades e grupos sociais da Bahia, como também houve destaque na participação de quilombolas de Pernambuco.

Na oportunidade, organizações não-governamentais atuantes no âmbito da defesa dos direitos de humanos, com especial recorte na juventude, traçaram a conjuntura do cenário político e do agravamento da crise social brasileira, que alia a criminalização dos movimentos sociais e fragilização nas garantias para sociedade brasileira. Nas apresentações e falas do grupo ficou expressa a urgência a criação de agenda de trabalho e estratégias para fomentar ações de enfrentamento ao esfacelamento dos direitos historicamente conquistados, especialmente a gravidade do genocídio da juventude negra.

Para Sônia Mota, coordenadora executiva da CESE, “o evento cumpriu o objetivo de reuniu juventudes diversas, aproximando e colocando em discussão. O encontro teve o papel de estimular e fazer perceber que eles não estão sós em seus anseios e nas suas lutas. Atividades como essas tem o papel rico de fortalecer as discussões, fazer os jovens se conhecerem, olharem e pensarem soluções conjuntas”. Ela acredita que o desafio posto será dar continuidade a este diálogo criado, fortalecendo esses coletivos juvenis e dando visibilidade às suas práticas.

Pela manhã, meninos e meninas acompanharam mesas de trabalho, discutindo temas como a efetivação do Estatuto da Juventude, direito à participação, igualdade entre outros, divididos em 11 eixos e debatidos com a condução de especialistas e lideranças. Houve espaço para poesia, expressão artística e música. Há mais de 40 anos, a CESE atua na promoção, defesa e garantia de direitos no Brasil e entende que é impossível construir nosso projeto de nação sem dar apoio e visibilidade ao protagonismo das juventudes; e promove esse evento, em parceria com movimentos e organizações parceiras, para contribuir com esse processo de articulação de jovens para a luta por seus direitos.

Reorganizando a Luta – O evento contou com uma palestra da Ouvidora do Estado e Comendadora Vilma Reis, que fez uma fala contundente de convocação das juventudes e das organizações para uma rearticulação das estratégias e proposições neste que se apresenta como um dramático momento de crise e fragilização dos direitos humanos. Vilma traçou o grave cenário onde há militarização dos territórios indígenas, com frequentes mortes das lideranças, a violência e a opressão policial nas comunidades periféricas, com número alarmante de jovens negros mortos e o encarceramento em massa.

“O nosso estilo de vida é lutar. Estamos em franco processo de reorganização das lutas, em articular-se para enfrentar o Estado brasileiro” convoca Vilma Reis, que também ressaltou a importância da leitura e da busca de informações por parte dos jovens, fortalecendo à comunicação negra, mas também a produção de autores que fundamentaram ações que foram na contramão do racismo, sexismo e das opressões. No evento, ficou expressa a urgência de buscar alternativas que diminuam as taxas de letalidade da juventude negra. “Todos os meses é como se caíssem oito aviões repletos de jovens negros, que morrem sem comoção da sociedade” lembrou Hamilton Oliveira, o DJ Branco.

 

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