Manifesto da Articulação de Mulheres Brasileiras – 8 de março de 2019 – Movimentos Sociais | Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 08.03.19

Manifesto da Articulação de Mulheres Brasileiras – 8 de março de 2019

📌 MANIFESTO DA AMB 📢
|| 8 de MARÇO de 2019 ||

Desde 2016 a Articulação de Mulheres Brasileiras se soma ao amplo movimento de resistência contra o golpe de Estado ultra neoliberal, patriarcal e racista, com profundos retrocessos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais a que este golpe tem submetido o país.

O Dia 8 de Março de 2017 foi considerado um dos mais politizados e internacionalistas de muitas décadas. Mulheres do mundo todo se mobilizaram contra os desmontes das políticas sociais provocadas por governos neoliberais e contra a precarização crescente da vida das mulheres. Nossas vidas importam!

Ao longo de todo o ano de 2018 permanecemos mobilizadas, somando nossas forças ao poderoso movimento do #EleNão, que levou as eleições presidenciais ao segundo turno, abrindo esperança para todas as pessoas que lutam pela democracia. Perdemos as eleições e a possibilidade de avançar para uma democracia verdadeira e justa.

Vivemos um momento crítico no Brasil, onde enfrentamos grande ofensiva capitalista e racista contra as mulheres, especialmente as negras, indígenas, quilombolas e pobres. Neste momento, centenas de pessoas estão sendo assassinadas, expulsas de suas terras ou sendo submetidas a regimes de trabalho equiparados ao à escravidão. Ao mesmo tempo, o feminicídio, a lesbotransbofobia, o estupro e a violência crescem a cada ano, constituindo-se em formas de conter nossa autonomia, nossa fala e nossas decisões, aprofundando o autoritarismo típico da sociedade patriarcal e escravocrata.

Da parte do poder executivo, medidas provisórias autoritárias instituem formas de controle e criminalização dos movimentos sociais e de nossas lutas. Liberdades e direitos democráticos estão sendo sistematicamente violados, com a participação do poder judiciário, do que são exemplo a prisão política de Lula, o assassinato brutal de Marielle Franco pelas milícias e os exílios do Deputado Federal Jean Wyllys e da militante feminista Debora Diniz.

O governo tenta também caçar nossa aposentadoria (MP 871). Nós mulheres ganhamos menos e somos maioria entre a população que não consegue contribuir regularmente com o INSS, pois estamos nos postos de trabalho mais precários e sem vínculos empregatícios, situação que se agrava para as mulheres negras. As novas regras propostas dificultam também o acesso aos benefícios que resultarão na expulsão de muitas trabalhadoras do sistema de previdência; além de propor a redução dos valores dos benefícios e de transferir o sistema público para o privado, entre tantas outras fragilizações que atingem diretamente nossa existência.
Nesse contexto, o feminismo é uma das forças políticas centrais da resistência e da luta antissistêmica. Isto aumenta o poder de nossas vozes, que se levantam contra a ofensiva conservadora, ultraneoliberal, articulada ao fundamentalismo religioso, ao fascismo social e à militarização.

Assim, neste 8 de Março seremos um tsunami feminista, mais forte, na esperança de que todo o conservadorismo, racismo, ódio, violência, indiferença, desrespeito, opressão e exploração sejam lavados de nossa terra e um novo dia possa chegar para todas as forças progressistas e democráticas que lutam por justiça.

Venham! Vamos precisar de todas as mulheres para juntar as nossas forças contra:

✦ A criminalização e a violência das nossas lutas, dos nossos corpos e dos nossos territórios!
✦ O caráter patriarcal deste governo que quer criminalizar o aborto em todas as circunstâncias, inclusive nos casos de estupro e risco de morte para as mulheres!
✦ O desmonte da legislação e das políticas de proteção aos territórios quilombolas e indígenas!
✦ O ataque ao meio ambiente e a liberação dos agrotóxicos que têm adoecido camponesas, camponeses e a população urbana!
✦ O desmonte da política e dos serviços de enfrentamento à violência contra as mulheres!
✦ O pacote “anticrime” de Moro, PL 3722/2012, de caráter racista, que aprofundará a política de encarceramento em massa, abrindo espaço para a volta do crime passional nos casos de feminicídio.
✦ O desmonte da previdência social!

Resistir, Esperançar e Lutar!

Festejar nossas vidas para seguir construindo condições dignas de existência!

Rumo à Marcha das Margaridas 2019!

Marielle Vive!
Lula Livre!