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Data: 15.10.21

Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) distribui alimentos na Bahia

Através do programa de Apoio a Pequenos Projetos da CESE, articulação oferece alimentos da agricultura familiar a movimentos periféricos de Salvador e Recôncavo Baiano

A agricultura familiar é uma aliada fundamental para a efetivação da segurança e soberania alimentar. É o que demonstra a ação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), através da Campanha Permanente de Arrecadação de Alimentos Mutirão Contra a Fome, na busca de efetivar a aliança campo-cidade no enfrentamento à insegurança alimentar que afeta as populações de baixa renda.

Com apoio do programa de Pequenos Projetos da CESE, o MPA distribuiu cestas de alimentos para 180 famílias das ocupações urbanas do Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB), localizadas nos bairros de Paripe e Periperi, em Salvador, e moradoras do Quilombo Engenho da Ponte, situado em Cachoeira.

Em Salvador, os beneficiários da iniciativa foram famílias compostas por pessoas majoritariamente negras, em situação econômica precária, vivendo em acampamentos, sem renda estável ou sem emprego. Já no Quilombo Engenho da Ponte foram beneficiadas 80 famílias, também em situação de extrema vulnerabilidade, vivendo da pesca num território bastante afetado pela COVID – 19, tanto pela precariedade das casas da comunidade, quanto pela falta de esgotamento sanitário e água encanada.

Além de garantir a distribuição de uma cesta, a Campanha também fortalece as famílias camponesas, que puderam comercializar seus produtos a preço justo. A parceria criou as condições para garantir que o alimento saudável, produzido por camponeses e camponesas, pudesse chegar às mesas de quem mais precisa neste momento de crises. A iniciativa possibilitou a aquisição dos produtos alimentícios diretamente dos agricultores e o deslocamento da produção, viabilizando a chegada dos itens aos locais de montagem das cestas e a distribuição em Salvador e Cachoeira.

De acordo com Leomárcio Araújo, camponês e dirigente do MPA, no Quilombo Engenho da Ponte, as famílias têm pouca terra e dispõem de água com baixa qualidade ou em quantidade insuficiente para plantarem, além do isolamento físico e dificuldades de acesso aos transportes. “Temos um público que, nesse quadro de pandemia, tem muita limitação em relação ao produzir ou garantir seu próprio alimento. Por isso essa ação de solidariedade” explicou o gestor.

Segundo Araújo, para as famílias do MSTB, que vivem numa condição de ocupação urbana, a situação é mais delicada ainda. “Eles não têm acesso ao trabalho, não têm acesso à terra, não têm acesso aos meios de produção de modo concreto. Então, ficam numa condição de muita vulnerabilidade e totalmente dependente do apoio das políticas. É uma limitação muito maior para quem vive condição.”, afirma.

 

Aliança Campo-Cidade – Para as famílias camponeses da base do Movimento de Pequenos Agricultores, entregar alimentos saudáveis para as famílias em situação de vulnerabilidade social é uma oportunidade. “Primeiro pela concretude de ter a oferta de um alimento saudável. Segundo porque no campo também tem fome e para as famílias camponesas é a possibilidade de ter o mínimo de retorno econômico para uma produção, que se dá ali no seu território. Uma ação como essa tem uma contribuição direta para o público dos dois espaços: do que produz e para o que consome” explica Leomárcio Araújo. A iniciativa foi importante para as famílias agricultoras porque elas enfrentam limitações para comercializar seus produtos em seus municípios, tendo sido afetadas pela suspensão das feiras livres durante os períodos de maior isolamento.

Segundo a liderança, a parceria com a CESE permitiu executar a ação almejada, superando as dificuldades de transporte dos produtos e o alcance das comunidades nos dois territórios. “Conseguimos realizar todo transporte, seguindo todo rigor da Vigilância Sanitária. Com distanciamento, o uso de máscaras, álcool em gel, enfim, todas as medidas para garantir que a ação da distribuição não fosse uma porta para contaminações. E assim, fazer uma ação que contribua e que fortaleça” acrescentou o diretor.

O Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA é um movimento camponês, de caráter nacional e popular, de massas, autônomo, de luta permanente, cuja base social é organizada em grupos de famílias nas comunidades camponesas. O MPA busca resgatar a identidade e a cultura camponesa, na sua diversidade, e se coloca ao lado de outros movimentos populares do campo e da cidade para a construção de um projeto popular para o Brasil baseado na soberania e pelos valores de uma sociedade justa e fraterna.