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- Nota: Como debater “sustentabilidade” na mineração sem ouvir aqueles/as que diariamente vivenciam as mazelas geradas pelo capital mineral?
<a href="https://www.cese.org.br/nota-como-debater-sustentabilidade-na-mineracao-sem-ouvir-aqueles-as-que-diariamente-vivenciam-as-mazelas-geradas-pelo-capital-mineral/"><strong>Nota: Como debater “sustentabilidade” na mineração sem ouvir aqueles/as que diariamente vivenciam as mazelas geradas pelo capital mineral?</strong></a>
28 de novembro de 2020
As organizações abaixo listadas vêm, mais uma vez, denunciar a INSUSTENTABILIDADE do modelo minerário em curso no Brasil. O capital mineral, como é de amplo conhecimento, diariamente explora as riquezas do país, contamina a natureza, explora trabalhadores/as e inviabiliza a vida de comunidades que veem seus territórios serem tomados pelas empresas.
Na contramão desta realidade, ocorreu na última sexta-feira, 27 de novembro de 2020, o “I Fórum Regional de Sustentabilidade, Inovação e Desenvolvimento na Mineração” em Juazeiro. O evento, realizado pela Mineração Caraíba S/A, Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), Governo do Estado, Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e outros entes, entretanto, não contou com a participação de NENHUM/A representante das comunidades atingidas pela mineração no estado da Bahia. Como falar em “sustentabilidade” sem sequer dar espaço aqueles e aquelas que diariamente vivenciam as mazelas geradas pelo capital mineral?
As empresas do setor e Estado tentam, por meio de eventos como este e de ações de mídia, criar uma imagem de que trazem o benefício, o tal “desenvolvimento” para o Semiárido. A exemplo disso, o geólogo José Ricardo Pisani em matéria na CBPM, afirma que “(…) Em locais como o sertão, que não tem agricultura, nem pecuária, a mineração é uma solução (…)”¹. E fica a pergunta, como o povo no sertão viveu até hoje? Se não da agricultura, pecuária e ainda, muita resistência e luta?
Nesse sentido, é urgente democratizar e popularizar o debate sobre a mineração. Sob esse discurso de “sustentabilidade”, a empresa de mineração Vale S/A matou 259 pessoas em Brumadinho-MG no ano passado. Como um modelo que busca apenas o lucro, a diminuição de custos e a maior exploração em pouquíssimo tempo pode se dizer sustentável? Ademais, como pode a Univasf apoiar o referido evento que excluiu a participação dos/as atingidos e atingidas da mineração?
Reafirmamos o direito das populações atingidas pelos empreendimentos de mineração, direta ou indiretamente, de serem ouvidas e fazerem parte de todo e qualquer evento que esteja a decidir sobre o futuro de suas vidas e, sobretudo, reforçamos que sustentável é o modo de vida das comunidades sertanejas, que há séculos veem cuidando da caatinga e produzindo alimento para o povo brasileiro.
¹https://www.sde.ba.gov.br/index.php/2018/11/12/diamante-na-bahia-uma-janela-de-oportunidades/
Assinam esta nota:
Articulação de Enfrentamento ao Modelo Mineral e em Defesa da Vida na Bahia
MAM – Movimento Pela Soberania Popular na Mineração
CPT – Comissão Pastoral da Terra Bahia
MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores
CIMI – Conselho Indigenista Missionário
CETA – Movimento dos Trabalhadores Rurais Assentados e Acampados da Bahia
Grupo de Pesquisa GeografAR (UFBA)
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Articulação Estadual de Fundo e Fecho de Pasto
IRPAA – Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
A família CESE também faz parte do movimento indígena. Compartilhamos das mesmas dores e alegrias, mas principalmente de uma mesma missão. É por um causa que estamos aqui. Fico muito feliz de poder compartilhar dessa emoção de conhecer essa equipe. Que venham mais 50 anos, mais pessoas comprometidas com esse espírito de igualdade, amor e fraternidade.
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Eu acho extraordinário o trabalho da CESE, porque ela inaugurou outro tipo de ecumenismo. Não é algo que as igrejas discutem entre si, falam sobre suas doutrinas e chegam a uma convergência. A CESE faz um ecumenismo de serviço que é ecumenismo de missão, para servir aos pobres, servir seus direitos.
Parabéns à CESE pela resistência, pela forte ancestralidade, pelo fortalecimento e proteção aos povos quilombolas. Onde a política pública não chega, a CESE chega para amenizar os impactos e viabilizar a permanência das pessoas, das comunidades. Que isso seja cada vez mais potente, mais presente e que a gente encontre, junto à CESE, cada vez mais motivos para resistir e esperançar.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.
Quero muito agradecer pela parceria, pelo seu histórico de luta com os povos indígenas. Durante todo o tempo que fui coordenadora executiva da APIB e representante da COIAB e da Amazônia brasileira, nós tivemos o apoio da CESE para realizar nossas manifestações, nosso Acampamento Terra Livre, para as assembleias locais e regionais. Tudo isso foi muito importante para fortalecer o nosso protagonismo e movimento indígena do Brasil. Deixo meus parabéns pelos 50 anos e seguimos em luta.