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Data: 25.10.21

Quebradeiras de coco babaçu constroem sua primeira unidade de beneficiamento, no norte do Piauí

O mesocarpo e o azeite extraídos do coco babaçu são utilizados por diversas mulheres do nordeste brasileiro para a produção de bolos, mingais e uma infinidade de outros produtos. O processo de extração dessas matérias primas é chamado de beneficiamento. Na comunidade do Riacho de Santa Maria, situada no Território dos Cocais, em Campo Largo, no norte do Piauí, mulheres quebradeiras de coco que sustentam suas famílias a partir de todo esse processo acabam de construir a sua primeira unidade de beneficiamento, graças ao apoio da CESE.

Elas foram contempladas pelo Programa de Apoio a Pequenos Projetos, a partir da sua participação no programa “Fortalecendo as organizações do Cerrado no enfrentamento ao racismo”, uma iniciativa da CESE, executada em parceria com o Instituto Ibirapitanga.

A unidade foi um dos benefícios trazidos para a comunidade pela AMTCOB – Associação de Mulheres Trabalhadoras do Coco Babaçu da Microrregião do Baixo Parnaíba Piauiense, através do projeto “Fortalecimento da Produção de Beneficiamento do Babaçu e o Protagonismo das Mulheres Quebradeiras de Côco”.

Agora com a unidade erguida, as mulheres têm um espaço próprio para esta etapa de tratamento do babaçu e cinco delas podem trabalhar ao mesmo tempo por lá durante o dia, de forma mais adequada. Atualmente, elas planejam estabelecer um cronograma de trabalho envolvendo toda a comunidade, dividido por datas e horários. A princípio, as atividades realizadas dentro da unidade priorizarão o tratamento do azeite. O mesocarpo ainda permanece em planos futuros.

A iniciativa também ofereceu formação para essas mulheres sobre o processo de beneficiamento do coco em si – com aulas teóricas e práticas; processos de gestão e comercialização, para que elas possam acompanhar e assessorar o funcionamento da unidade de processamento, além de melhorar a qualidade de vida das famílias e priorizar o aumento de sua autoestima.  A princípio, as formações foram planejadas para jovens e mulheres – gênero e geração também foram temas discutidos nos encontros.

Sandra Cardoso, assessora da Associação, explica que a vontade de construir uma unidade de beneficiamento na comunidade é antiga. “O pessoal da CESE foi sensível e entendeu nossa demanda, contemplando tanto a construção da unidade como as formações. Deu tudo certo. Agora é só produzir!”, afirma.

Outro ponto positivo destacado por Sandra foi a participação e empolgação dos jovens que abraçaram a iniciativa. Ela explica que no dia a dia de produção, o trabalho fica mais sob responsabilidade das mulheres e os/as jovens participam mais dando apoio. Como a formação abordou aspectos práticos e teóricos do processo de beneficiamento do coco babaçu, a participação enérgica desse público foi muito importante.

“Temos que continuar promovendo formações, principalmente pelos/as jovens. Geralmente, eles/as não participam muito desses processos, mas dessa vez se empolgaram. Temos que continuar trazendo mais espaços como esses para motivá-los a continuarem engajados/as”, finaliza Sandra.