<a href="https://www.cese.org.br/nota-do-feact-em-solidariedade-ao-quilombo-campo-grande/"><strong>Nota do FEACT em solidariedade ao Quilombo Campo Grande</strong></a>
12 de agosto de 2020Hoje o Brasil amanheceu ainda mais triste!
Em meio a uma pandemia sem precedências, que já provocou mais de 100 mil óbitos, o acampamento “Quilombo Campo Grande” do sul do Estado de Minas Gerais, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Brasil, foi surpreendido, nesta madrugada, por um verdadeiro clima de guerra. Centenas de viaturas policiais irromperam violentamente para despejar as 650 famílias que, há 20 anos, resistem e produzem alimentos saudáveis. Um deles é o café orgânico Guaií.
O Quilombo Campo Grande está localizado em uma área que produz um dos melhores cafés do mundo. É neste território, altamente visado pelas grandes empresas do agronegócio, que acontece a disputa entre dois modelos produtivos que distribui renda e convive com o meio-ambiente. Por outro lado, um modelo que concentra riqueza, exclui as pessoas e destrói o meio-ambiente.
Há anos essas famílias sofrem coação por parte de pistoleiros. Segundo fontes eles agem por ordem do ex-proprietário da usina falida. São 22 anos de conflitos, 5 despejos, muita solidariedade nacional e internacional.
O despejo de hoje acontece após pressão de João Faria, um dos maiores exportadores de café do Brasil. Este empresário do agronegócio quer estender a sua área de produção. Há interesses de grandes empresas envolvidos neste despejo, entre estas empresas estão as multinacionais Nestlé e Mondelez. Chama-se a atenção que João Faria foi um dos maiores doadores da campanha do Presidente Bolsonaro em 2018.
“Exigimos” do governador Romeu Zema e das instituições competentes a suspensão imediata do despejo, o respeito aos direitos humanos dessas famílias e de outras milhares a mercê de violência semelhante no Brasil neste momento.
Essa ação expõe, mais uma vez, que o governo brasileiro se orienta única e exclusivamente por interesses do capital financeiro e das multinacionais. A vida da população brasileira está ameaçada por aqueles que deveriam garanti-la.
Querem acabar com nossa cultura, com nossa espiritualidade, com o direito de sonhar. Não é por acaso que a primeira ação da polícia militar foi atacar a Escola Eduardo Galeano e a igreja local.
São as veias abertas da América Latina que sangram em consequência de um novo colonialismo, que “apressa o domínio da violência”. (Am 6.3)
Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT), 12 de agosto de 2020
VEJA O
QUE FALAM
SOBRE NÓS
Viva os 50 anos da CESE. Viva o ecumenismo que a organização traz para frente e esse diálogo intereclesial. É um momento muito especial porque a CESE defende direitos e traz o sujeito para maior visibilidade.
A luta antirracista é o grande mote das nossas ações que tem um dos principais objetivos o enfrentamento ao racismo religioso e a violência, que tem sido crescente no estado do Maranhão. Por tanto, a parceria com a CESE nos proporciona a construção de estratégias políticas e de ações em redes, nos apoia na articulação com parcerias que de fato promovam incidência nas políticas públicas, proposições institucionais de enfrentamento a esse racismo religioso que tem gerado muita violência. A CESE nos desafia na superação do racismo institucional, como o grande vetor de inviabilização e da violência contra as religiões de matrizes africanas.
Há muito a celebrar e agradecer! Nestes anos todos, a CESE tem sido uma parceira importantíssima dos movimentos e organizações populares e pastorais sociais. Em muitos casos, o seu apoio foi e é decisivo para a luta, para a vitória da vida. Faz as exigências necessárias para os projetos, mas não as burocratiza nem as excede. O espírito solidário e acolhedor de seus agentes e funcionários faz a diferença. O testemunho de verdadeiro ecumenismo é uma das suas marcas mais relevantes! Parabéns a todos e todas que fazem a CESE! Vida longa!
Eu preciso de recursos para fazer a luta. Somos descendentes de grupos muito criativos, africanos e indígenas. Somos na maioria compostos por mulheres. E a formação em Mobilização de Recursos promovida pela CESE acaba nos dando autonomia, se assim compartilharmos dentro do nosso território.
Nós, do SOS Corpo, mantemos com a CESE uma parceria de longa data. Temos objetivos muito próximos, queremos fortalecer os movimentos sociais porque acreditamos que eles são sujeitos políticos de transformação. Seguiremos juntas. Um grande salve aos 50 anos. Longa vida à CESE
Conheço a CESE desde 1990, através da Federação de Órgãos para Assistência Social (FASE) no apoio a grupos de juventude e de mulheres. Nesse sentido, foi uma organização absolutamente importante. E hoje, na função de diretor do Programa País da Heks no Brasil, poder apoiar os projetos da CESE é uma satisfação muito grande e um investimento que tenho certeza que é um dos melhores.
A relação de cooperação entre a CESE e Movimento Pesqueiro é de longa data. O apoio político e financeiro torna possível chegarmos em várias comunidades pesqueiras no Brasil para que a gente se articule, faça formação política e nos organize enquanto movimento popular. Temos uma parceria de diálogos construtivos, compreensível, e queremos cada vez mais que a CESE caminhe junto conosco.
Há vários anos a CESE vem apoiando iniciativas nas comunidades quilombolas do Pará. A organização trouxe o empoderamento por meio da capacitação e formação para juventude quilombola; tem fortalecido também o empreendedorismo e agricultura familiar. Com o apoio da CESE e os cursos oferecidos na área de incidência política conseguimos realizar atividades que visibilizem o protagonismo das mulheres quilombolas. Tudo isso é muito importante para a garantia e a nossa permanência no território.
A gente tem uma associação do meu povo, Karipuna, na Terra Indígena Uaçá. Por muito tempo a nossa organização ficou inadimplente, sem poder atuar com nosso povo. Mas, conseguimos acessar o recurso da CESE para fortalecer organização indígena e estruturar a associação e reorganizá-la. Hoje orgulhosamente e muito emocionada digo que fazemos a Assembleia do Povo Karipuna realizada por nós indígenas, gerindo nosso próprio recurso. Atualmente temos uma diretoria toda indígena, conseguimos captar recursos e acessar outros projetos. E isso tudo só foi possível por causa da parceria com a CESE.
Ao longo desses 50 anos, fomos presenteadas pela presença da CESE em nossas comunidades. Nós somos testemunhas do quanto ela tem de companheirismo e solidariedade investidos em nossos territórios. E isso tem sido fundamental para que continuemos em luta e em defesa do nosso povo.