Seminário Nacional chega ao fim, mas não a luta contra o MATOPIBA

Foto - Adilvane Spezia-MPA (1)

Na luta contra o projeto do Capital, do Agronegócio e na Defesa do Cerrado, povo indígenas, povos tradicionais, camponeses e camponesas do Brasil, Japão e Moçambique enceram mais um ciclo, momento este que frutifica em novas ações a serem realizadas em seus territórios.

Na tarde desta sexta-feira, 18, encerou o Seminário Nacional “MATOPIBA: conflitos, resistências e novas dinâmicas de expansão do agronegócio no Brasil”, realizado no centro de formação da Contag em Brasília entre os 16 a 18 de novembro de 2016.

Os três dias foram de muito debate, troca de saberes e aprendizados. Durante estes dias foi construindo uma Carta Aberta em Defesa do Cerrado, que segundo a organização do evento será publicada nos próximos dias. Nela deve contar as manifestações e indignação com o quadro atual de propostas de expansão do agronegócio para o Cerrado. As mais diversas formas de violências, de degradação ambiental, trabalho escravo e desigualdades sociais e econômicas do campo brasileiro. A denúncia da grilagem e processo de especulação fundiária, que tem aumentado os conflitos de Terra. Assim como, o repúdio ao PDA MATOPIBA e o ProSavana, e, a afirmação do compromisso em defesa dos povos brasileiros e dos territórios.

Durante o evento também foram traçadas algumas linhas e ações para o próximo, entre elas: Ampliar as articulações com mais organizações; Realizar ações ou atividades específicas sobre o tema nos Estados; Garantir Leis Municipais que possam contribuir na preservação do Cerrado; Realizar ações unitárias nas mobilizações; Unificar as ações da Campanha com as ações da Via Campesina; Fortalecer as ações do Campo Unitário; e, Apoiar a lutas dos estudantes que permanecem ocupando as escolas contra a PEC 55, a Lei da Mordaça e Contra a Reforma do Ensino Médio.

Na avaliação dos participantes este foi um momento muito rico, conseguiu-se reunir pesquisadores e as comunidades afetadas pelo MATOPIBA no mesmo evento e debater sobre o tema nas mais diversas frentes. Como explica seu Antonio Apinagé, “um rico momento para debater sobre as experiências, de conhecer novas experiências e pessoas novas, um encontro muito bom, um momento positivo para nossa luta e de juntar mais pessoas, é nós que temos que tomar as linhas desse processo”, afirma o líder indígena.

O Seminário foi um momento de dar novos passos e de construir forças com várias organizações onde teve uma diversidade de pessoas, com boa participação das companheiras e da juventude. Dar voz as comunidades foi um dos momentos mais importantes do evento, assim como, a presença de representantes de comunidades camponesas internacionais na integração entre Brasil, Moçambique e Japão.

Para Helena Terra da União Nacional dos Camponeses de Moçambique (UNAC), “foi um momento muito valioso, aprendemos muito com vocês e vocês aprenderam com nós, não nos deixem sós nessa luta contra o Pro-SAVANA, nós também não os deixaremos”, referindo-se à necessidade de unir os povos tradicionais, indígenas e camponeses do Brasil e Moçambique. Ela ainda faz um pedido, “eu gostaria que chamassem nossos camponeses para mais espaços como estes, chamar os governos para ouvir nossos choros, nossos problemas. Mas uma coisa me deixou feliz, os jovens participaram muito, vou com vocês no fundo do meu coração, os nossos pais lutaram por nós, nós precisamos lutar por nossos filhos”.

Já para Naoko Watanabe do Centro Internacional Voluntário do Japão, afirma: “aprendi muito, pois em nosso país, chamado de desenvolvido, até então financiavam governos, porém passou a oferecer ajudas internacionais de outra forma, por meio do setor privado para que invista em projetos e em linhas estratégicas na ideia de que o setor privado é o único que pode resolver os problemas ambientais, pois segundo eles o povo não saberia como fazê-lo”.

Naoko ainda faz um pedido, “nós como sociedade civil precisamos reagir, somos nós que fazemos a diferença no mundo. Os camponeses no Japão têm o mesmo problema dos camponeses brasileiros. Essas mudanças estão causando problema nos países desenvolvidos, não só nos subdesenvolvidos, então os camponeses no Japão também estão sofrendo com os mesmos problemas, e precisam de ajuda e solidariedade. Minha tarefa é ir para o Japão e levar essa experiência para ajudar nossos camponeses. Estamos juntos, a luta continua”, afirma ela.

Por Adilvane Spezia – MPA


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