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Data: 22.07.21

CESE apoia Movimentos por Moradia na distribuição de alimentos e informação em São Paulo

Iniciativa da União dos Movimentos de Moradia mobiliza recursos e apoios para auxiliar comunidades vulnerabilizadas.

A pandemia ampliou os abismos das desigualdades sociais, penalizando ainda mais as populações em situação de rua, ambulantes e moradores/as das periferias das grandes metrópoles brasileiras, especialmente de São Paulo. A União dos Movimentos de Moradia arregaçou as mangas e lançou o projeto “Sem Casa e Com Fome- Periferia enfrenta a pandemia – Ano II”, iniciativa apoiada pela CESE, através da Metodologia de Dupla Participação. Cerca de 150 áreas vulneráveis de São Paulo, Baixada Santista, Campinas e Ribeirão Preto recebem alimentos arrecadados, além de kits de com itens de higiene.

Ivanisa Rodrigues, militante da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo e da União Nacional de Moradia Popular, conta que no início da pandemia a cidade de São Paulo paralisou totalmente. O isolamento social chegou junto com a falta de suporte para as populações vulnerabilizadas, que frequentemente tiram o sustento na informalidade. Os desafios são distintos entre aquelas populações que vivem nas ruas e as que moram nas comunidades periféricas.  A população de rua sentiu o impacto imediatamente, por já viver sob a falta de acesso às condições sanitárias mínimas. E os/as moradores/as de periferias de conjuntos habitacionais e aglomerados, com baixa ventilação. “Para cada um desses grupos, a gente definiu uma estratégia diferente pra abordagem. Nas favelas, visitamos as famílias para identificar essas maiores vulnerabilidades” conta a ativista. Os/as voluntários/as realizaram visitas domiciliares a partir de contatos e proximidades, nos cortiços e junto aos moradores/as em situação de rua. Uma das principais estratégias de comunicação com os grupos tem sido através do WhatsApp, possibilitando acompanhar a situação das comunidades, suas necessidades e também gerar as mobilizações para entrega dos kits.

Os movimentos buscaram doações para montagem dos kits, tanto por meio de vaquinhas virtuais e mobilização através de campanha nas redes sociais. De acordo com Ivanisa, organizações parceiras, grupos de estudantes universitários e moradores/as das próprias comunidades também arrecadaram doações e complementaram as doações, fortalecendo a ação da União dos Movimentos de Moradia de São Paulo. Os kits contêm alimentos como arroz, feijão, açúcar entre outros itens frutos dessas doações. Outras parcerias se somaram como o apoio da Prefeitura de São Paulo, por meio do programa Cidade Solidária, colaborando com a entrega das cestas diretamente para as comunidades. “A gente estabeleceu uma forma de sempre fazer com que os protagonistas dessas ações fossem as lideranças locais. Sempre valorizamos a organização e a liderança local, sempre levando junto alguma algum material de informação” acrescentou. Os materiais trazem informações sobre o auxílio emergencial, sobre a higienização das mãos e o uso do álcool gel, além de serem distribuídos conteúdos em vídeo, trazendo todas essas orientações de modo mais acessível.

Ao longo desse um ano e meio da pandemia, os movimentos distribuíram 150 mil cestas no total, nesta que foi a maior e mais longa campanha de mobilização da União. “Além das doações  de alimentos também foi importante o processo de elaboração  e confecção das máscaras. Nós conseguimos também uma doação de tecido, linha, elástico. Também conseguimos um recurso para as mulheres costureiras e que já tem essa essa habilidade dentro do movimento. Elas puderam nas suas casa costurar as máscaras e receber uma ajuda de custo. Essas máscaras foram distribuídas gratuitamente em todos os lugares. A gente acabou conseguindo produzir por volta de 120 mil máscaras” revela a ativista.

A União segue com apreensão os rumos da pandemia: enfrentou o pico das contaminações e mortes e a necessidade de dar continuidade nossas ações. Contudo, dessa vez, encararam o desafio da redução do volume de doações e retirada dos apoios como o da Prefeitura de São Paulo. “Com a proposta da Metodologia de Dupla Participação, a gente viu que era muito importante para potencializar nossa ação. Então, novamente a gente ativou a metodologia para mobilizar os recursos, demonstrando o que a gente conseguia fazer com os recursos de doação. A vaquinha rodou mais ou menos três meses na rua, recebemos doações de de diferentes pessoas que conheciam o nosso movimento e outras que a gente nem sabe quem são. Estamos entrando em contato agora para fazer os agradecimentos” conta Ivanisa. Segundo ela, esses apoios são fundamentais por dar retaguarda para quem está na linha de frente, acrescentando materiais necessários para realização do próprio trabalho como itens de limpeza e higiene, álcool gel, máscara, luva, além da produção de materiais informativos e suporte de orientação para as famílias – especialmente num período em que são compartilhadas frequentes informações imprecisas.

“Com a Metodologia de Dupla Participação, a CESE tem nos ajudado a chegar mais perto dos aprendizados como a mobilização de recursos e a informação permanente” afirma a ativista. A União segue na busca por apoios e suporte financeiro, para seguir realizando seu trabalho nas ruas e nas comunidades de São Paulo e Região Metropolitana. A União segue também pressionando o poder municipal paulistano para que siga com as ações sociais necessárias às populações, que têm necessidades imediatas de alimento e cuidados de higiene. “A gente enfrenta uma dificuldade, mas se a gente enfrenta essa dificuldade de maneira coletiva ou um escutando o outro, fortalecendo as nossas redes, conseguimos sim estender a mão e consegue passar juntos por esse momento” conclui Ivanisa.

Metodologia Dupla Participação

Neste período de pandemia, a CESE em parceria com a agência de cooperação holandesa Wilde Ganzen, disponibilizou recursos, para apoiar movimentos sociais e organizações parceiras em suas ações emergenciais de enfrentamento aos impactos da SARS-CoV-2, causadora da COVID-19. Por meio desse apoio, a organização estimula que esses grupos mobilizem metade do recurso necessários para realizar seu projeto e em seguida dobra o valor obtido.

Para arrecadar metade do valor total do projeto, a União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo e Interior realizou vaquinhas virtuais e mobilização através de campanha nas redes sociais e angariou o valor de R$9.345,00. E para apoiar essa iniciativa, a CESE dobrou o valor para R$ 18.690,00.