CESE realiza última etapa do ciclo de debates “Pisando firme na corda bamba: Desafios e possibilidades para as lutas por direitos no Brasil.” – Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 05.02.21

CESE realiza última etapa do ciclo de debates “Pisando firme na corda bamba: Desafios e possibilidades para as lutas por direitos no Brasil.”

O ciclo de debates “Pisando firme na corda bamba: Desafios e possibilidades para as lutas por direitos no Brasil” chegou ao fim nesta quinta-feira (04/02), com a temática sobre Direito à Cidade e Direito à Identidade na Diversidade em nosso país. Desde o retorno das férias coletivas, a iniciativa reúne virtualmente a equipe da CESE e integrantes de organizações parceiras para debater os desafios da conjuntura e construir ações estratégicas não somente para 2021, mas também para o próximo trienal.

O encontro permitiu exposições dialogadas acerca do modelo econômico neoliberal e suas desigualdades sociais estruturantes, como também a construção de outras perspectivas de desenvolvimento a partir de um projeto político em defesa da vida. O momento foi, sobretudo, espaço de troca de experiências sobre a necessidade de afirmação da identidade como uma forma de potencializar a organização política, e resgatar utopias de uma sociedade com justiça e equidade.

 

A violação dos direitos humanos, o crescimento das ondas ultraconservadoras e o aprofundamento das desigualdades e da pobreza têm trazido, cada vez mais, a necessidade de reafirmação identitária como força política. “É preciso fortalecer a identidade, mas o fortalecimento por si só não é fim da luta. É a porta de entrada de um processo para refletir a sociedade e incidir sobre ela.” A leitura é da jornalista e mestra em Comunicação, Alane Reis, ativista do Odara Instituto da Mulher Negra, coordenadora e editora chefe da revista Afirmativa – Coletivo de Mídia Negra.

Para ajudar no aprofundamento da discussão, Alane trouxe perguntas para conduzir o debate: “O que é identidade? E quem precisa?”. Segundo a jornalista, apesar de todas as pessoas possuírem identidade, ela não é homogênea. Existe por uma necessidade de fortalecer uma vivência, uma expressão de vida e uma forma de estar no mundo, que de alguma forma foi negada: “É conceito político, necessário para grupos organizados constituir narrativas para falar sobre si em diversas dimensões e disputar representatividade, a exemplo do movimento negro, feminista e LGBTQIA+”, afirma a ativista do Odara.

Sobre esse aspecto, Rud Rafael, educador da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), afirma que é preciso aprofundar as discussões sobre raça, gênero e classe para compreender a realidade sobre o processo de dominação e opressão das populações tradicionais, negros/as, moradores/as de periferia. “É fundamental fazer oposição e crítica ao sistema que estrutura as sociedades, porque essa discussão não é só feita pelo nosso campo político. A direita se coloca como ator político contra o racismo, por exemplo, mas não confronta o sistema. Não se pode lutar contra essas questões e ser favorável ao capitalismo.”, exemplifica Rud, que também é coordenador nacional do MST e integrante da atual gestão do Conselho Regional de Serviço Social de Pernambuco.

Alane Reis e Rud Rafael contribuíram também com reflexões coletivas de possíveis caminhos para a construção de uma nova sociedade. Para Rud, há um grande desafio de pensar utopias concretas e viáveis: “É necessário recolocar no debate os momentos de avanços, do ponto de vista concreto das lutas, como as políticas públicas. Mas também, pensar na possibilidade de uma revolução solidária que parta de alguns eixos: combate às desigualdades de gênero e raça; avanço da economia solidária e popular; participação política e programa de formação com as bases”, descreve o representante da FASE.

E Alane completa: “Normalmente, as pessoas trazem a identidade hegemônica para falar da conjuntura brasileira e cânones da América Latina e da Europa como alternativas de caminho. Mas, desde a década de 80, Lélia Gonzalez e Abdias Nascimento vem pautando os movimentos sociais com reflexões e com um projeto político a partir da cultura comunitária. É um grande desafio. Até mesmo para esquerda, culturalmente racista.”, explica a editora chefe da revista afirmativa, em referência à ideias e perspectivas de intelectuais negros/as.

Após esta última roda de diálogo, a CESE seguirá nos próximos dias com a elaboração coletiva do planejamento de 2021.