Entidades religiosas ecoam a dor do povo brasileiro no silêncio – Notícias | Cese | Coordenadoria Ecumênica de Serviço

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Data: 12.06.20

Entidades religiosas ecoam a dor do povo brasileiro no silêncio

Igreja da Ordem Terceira Santíssima Trindade que abriga a Comunidade da Trindade de Salvador (BA)

Organizações ecumênicas, Igreja, comunidades de fé e movimentos populares realizaram nesta quinta-feira (11), o lançamento da “NÃO – AÇÃO PÚBLICA e SILENCIOSA POR UMA AÇÃO POLÍTICA PARA QUE NENHUMA VIDA SEJA DESCARTADA”, uma iniciativa conjunta de várias entidades para chamar atenção para os dados alarmantes referentes ao número de mortes causada pela Covid-19 e o descaso do governo Bolsonaro para lidar com a SARS-CoV-2, causadora da COVID-19.

Em pouco mais de um mês, o Brasil saltou de 10 mil para 41 mil mortes causadas pela pandemia do novo Coronavírus, segundo as últimas informações divulgadas pelo Ministério da Saúde. Paralelo aos números aterrorizantes de vidas perdidas, os/as brasileiros/as precisam enfrentar a crise política e econômica do país, que fragiliza as populações mais vulnerabilizadas.  O presidente minimiza de modo sistemático a gravidade do problema, incentiva e participa de aglomerações, demite ministros da saúde sucessivamente e assume uma postura autoritária, insensível e antiética em dar invisibilidade aos mortos/as pela Covid-19.

Diante disso, NÃO -AÇÃO PÚBLICA e SILENCIOSA surge com a intenção de silenciar para permitir que a dor ecoe, visibilize e desperte uma nova consciência em tempos de pandemia e nas diárias violações de direitos aos seres humanos e a natureza.

Para Henrique Peregrino da Trindade, idealizador da iniciativa, o ato afirma com veemência a importância da vida humana não apenas diante da pandemia, mas também no contexto de desigualdades e injustiças sociais: “A intenção dessa não-ação nasceu quando uma dor imensa se espalhou por nosso Brasil. O país geme e chora pela perda de tantos filhos/as antes do tempo, de maneira especial na pandemia, mas também pela morte precoce causadas pelo racismo, intolerância religiosa, fome, violências e balas perdidas Essa dor, gemido ou grito, já foi tanto escrita, declarada, publicada ou comentada, mas permanece no coração daqueles/as que perderam algum/a ente querido/a.”, afirma Henrique.

O peregrino completa: “Em todas as tradições religiosas, as divindades também choram de dor. No Judaísmo, no livro do antigo testamento, Raquel chora de dor por seus filhos perdidos. Jesus chora por Lazaro, como chora sobre a cidade de Jerusalém. Tupã, diante da floresta da Amazônia queimada e devastada, também chora. No Candomblé, a Orixá Oxum chora junto com os seus devotos/as e as lágrimas dela se tornam nossas lágrimas.”, diz Henrique.

Comunidade da Trindade de Salvador

Junto com todas as entidades que prepararam a NÃO–AÇÃO PÚBLICA e SILENCIOSA, o feriado de Corpus Christi foi escolhido como a data para iniciar a campanha, nomeando-a como “Dia do Silêncio”. Mulheres e homens de vários estados do Brasil, e até mesmo de outros países, pararam, escreveram o lema, registraram o momento e compartilharam em suas redes. “Foi uma grande emoção ver todas essas fotos. Percebi que correspondia a uma necessidade imensa de poder expressar uma dor que estava calada, presa profundamente dentro das pessoas. Essa dor precisava ser ecoada e campanha permitiu isso.”, compartilhou o idealizador da não-ação.

Na Comunidade da Trindade, onde Henrique coordena um projeto para melhorar a vida de moradores em situação de rua de Salvador, a escolha da NÃO-AÇÃO realizou-se de maneira pública e permanente. Na grande escadeira da Igreja da Ordem Terceira Santíssima Trindade, que abriga a comunidade, foi preparada uma tenda dentro da qual o dia todo, do nascer ao pôr do sol, ao menos uma pessoa estará sentada em silêncio, com os cartazes e faixas da campanha para dar sentido a sua presença e para que essa iniciativa se torne um grão de clamor neste país.

Participe: #SilêncioPelaDor Só o silêncio pode ecoar a nossa dor

Todas as Igrejas, movimentos e pessoas podem participar da campanha. Basta escrever o lema : “Só o silêncio pode ecoar a nossa dor, com a hashtag #SilêncioPelaDor”, silenciar e postar nas redes sociais. Essa NÃO-AÇÃO pode ser feita em casa e em locais públicos, usando máscaras e seguindo as medidas de proteção e distanciamento. Também pode ser realizada através de faixas e cartazes nas entradas dos templos, organizações, associações e lares. “É importante registrar, através de uma foto ou um pequeno vídeo silencioso e compartilhar nas redes públicas. Essa dor vai falar em silêncio e necessita chegar aos ouvidos de quem precisa ouvir a dor do povo, coordenar ações políticas conjuntas e responder a esse momento tão dramático do país.”, enfatiza Henrique Peregrino da Trindade.

Além da Comunidade da Trindade de Salvador, estão na campanha CESE, Fórum Ecumênico ACT-Brasil, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), Igreja Presbiteriana Unida, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Comunidade de Jesus, Centro de Estudos Bíblicos, Centro de Estudos e Ação Social, entidades do Movimento de Mulheres e as novas gerações de vida religiosa.

Confira o vídeo com as adesões a “NÃO – AÇÃO PÚBLICA e SILENCIOSA POR UMA AÇÃO POLÍTICA PARA QUE NENHUMA VIDA SEJA DESCARTADA”