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Data: 11.03.22

“José Carlos Zanetti: homenagem da CESE”, por Emiliano José

Diante da morte de Zanetti, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) o homenageou com um belo texto, sob o título “Nosso amoroso revolucionário”.
Nada mais próprio.
Zanetti era um revolucionário.
Um revolucionário amoroso, como todos deviam ser, embora nem todos sejam.
Há a mística do revolucionário duro, inflexível, sisudo, incapaz de gestos carinhosos, à moda estalinista.
Mística às vezes celebrada.
Zanetti, longe desse modelo.
Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.
É frase atribuída a Guevara.
No documento de homenagem a Zanetti, a CESE considera tal frase a melhor definição da personalidade dele.
Frase a expressar como ele encarava a vida e a luta.
Diria até, contrariando amorosamente a CESE: o centro da vida dele era a ternura.
Ao longo da vida, nunca o vi proclamar a necessidade de endurecer-se.
Pela ternura, ele fazia valer as convicções alimentadas por sua alma de lutador.
Brincalhão e irreverente, a CESE registra, ele resolveu nos dar um baile em plena quarta-feira de cinzas.
Como bom folião, não abria mão de sair na “Mudança do Garcia”.
Protestava, então, da melhor maneira, brincando, com ironia, dançando.
E na quarta-feira de cinzas, partiu, finalizando o carnaval.
– “Pelos corredores da CESE escutaremos sua gargalhada larga, sua alegria em receber as pessoas e sempre encontrar tempo para uma boa prosa na qual mesclava aspectos da vida cotidiana com análise de conjuntura.”
A CESE sempre o percebeu militante apaixonado, de modo especial na defesa dos direitos humanos e da natureza.
Tudo sempre envolto numa alegria contagiante.
A morte dele abalou a CESE.
Afinal, por longo tempo, a militância dele se deu junto a ela.
Um caso de amor.
Desde o final dos anos 70, esteve na CESE, salvo breve intervalo.
A CESE e tanta gente do Brasil e do mundo restaram abaladas com a morte dele.
– “Mesmo se afirmando um agnóstico, recorria aos profetas bíblicos para expressar sua indignação: ‘Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo’”
A militância apaixonada e afetuosa de Zanetti em defesa dos direitos humanos inspirava a CESE nessas décadas de presença dele na Organização.
Deixa uma forte lembrança, uma densa herança.
Na caminhada, a CESE continuará acolhendo a aguçada e fina sensibilidade dele diante da História, olhando-a sempre com esperança de dias melhores construídos pela luta.
Será fiel à sua alegria.
Eterna aprendiz da forma como ele resolvia as questões mais complexas, mais difíceis: sempre com leveza e bom humor.
Sem nunca deixar de lado a firmeza na defesa dos pontos de vista considerados justos.
Nesse momento difícil do País, com o esgarçamento acelerado de todos os direitos, permanentes ameaças aos movimentos sociais e à democracia, a CESE proclama:
– “Desejamos que seu exemplo continue inspirando gerações, que sua trajetória seja alento para continuarmos acreditando que vale a pena lutar.”
– “Porque amanhã será outro dia”!
Bela e sincera homenagem da CESE.
Acompanhei Zanetti nessa caminhada da CESE.
Cheguei a escrever livreto falando da trajetória da Organização, a pedido dela.
Não sei quantos endereços teve.
Lembro daquele no Garcia.
E depois, o último: na Graça/Vitória.
A CESE era a vida dele.
Pelos campos e cidades, acompanhando os projetos.
Escrevendo os textos relativos aos projetos.
Analisando-os.
Escrevendo análises de conjuntura, tão refinadas.
Às vezes, terminando os textos em casa, nas madrugadas.
Às vezes, não.
Quase invariavelmente.
Atesto: ao sair da prisão, tentou o caminho do artesanato, o Bendegó, iniciativa e de outros companheiros recém-saídos da prisão.
Deu certo, não.
Tentou jornalismo – o perfeccionismo dele não se enquadrava na linha de produção diária de notícias.
Deu certo, não.
Encontrou-se na CESE, continuidade de sua militância revolucionária em Ação Popular.
Outra militância, mas com muitas semelhanças.
Dedicar-se ao povo – era sua sina, destino.
E a CESE era o porto seguro para essa dedicação.
Foi até o fim da vida.
#Zanetti

 

Evento realizado na última quarta-feira (9) em homenagem ao nosso querido José Carlos Zanetti, nosso amoroso revolucionário:




Aos queridos/as amigos/as, parceiros/as e companheiros/as de luta, agradecemos a presença e participação na homenagem virtual ao nosso querido Zanetti. Foi uma linda noite de afetos, memórias e boas lembranças. Seu legado de revolução com amor, militância afetuosa e aguçada sensibilidade serão sempre fonte de inspiração e profundo respeito.

Em nome da família e de toda equipe da CESE, agradecemos o carinho e disponibilizamos o link do vídeo para aqueles/as que não puderam comparecer: https://www.youtube.com/watch?v=TFAhiGiEIyo&t=5s

Que a vida de Zanetti encontre em nós solo fértil de esperança e continuidade da luta!

Zanetti, presente, presente, presente.