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Data: 19.10.20

CESE articula juventudes do campo e da cidade em tarde de troca sobre desafios e ações de enfrentamento

Alane “Responsabilidade”, Bruno “Teimosia”, Lucimaro “Rebeldia”, Petrúcia “Resistente”, Débora “Coragem”, Uine “Futuro”, Ghiulia “Diversidade”, Júlio Cesar “Persistência”, Bruna “Fé”, Emerson “Luta Pelos Territórios Tradicionais”: foram muitos os sobrenomes auto reivindicados pelos/pelas jovens na abertura da Roda de Conversa CESE e Juventudes. A ideia foi esquentar o clima para o bate-papo a seguir e visibilizar o espectro de qualidades comuns a jovens. O espaço de diálogo reuniu cerca de 20 representações de organizações/coletivos de juventudes: grupos urbanos e rurais envolvendo juventude negra, camponesa, pescadora, indígena, LGBTQI+, quilombola, de diferentes expressões culturais, mulheres, dentre outras, especialmente das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.

Com o encontro, a ideia é sintonizar a CESE com as demandas das diferentes organizações e expressões de juventudes envolvidas na defesa de direitos, a partir da escuta sobre suas principais demandas, prioridades e contexto que envolvem os diversos grupos e territórios. O objetivo também é subsidiar a reflexão da CESE para sua atuação com as juventudes, com destaque para o seu Programa de Apoio a Pequenos Projetos, especialmente em contexto de pandemia.

 

Desafios, ações e propostas

Na primeira parte da roda de diálogo, os grupos foram divididos para compartilhamento dos destaques do atual contexto, na visão das juventudes presentes, e as iniciativas de enfrentamento que estão sendo realizadas pelos grupos e coletivos.

O momento tem sido de desafios e foram elencados, dentre outros: aprofundamento das desigualdades e da fome; crescimento do conservadorismo, do fascismo, do racismo, violência e da LGBTfobia; isolamento e depressão entre jovens LGBTQI+; ameaças às juventudes de igrejas atuantes contra o feminicídio e violência a mulher; dificuldade de acesso à internet por estudantes do campo; aumento do desemprego; uberização do trabalho; e aumento das queimadas.

Em seguida, foi a vez de partilhar as boas práticas adotadas. A comunicação desempenhou papel estratégico. A partir de formações online, lives e podcasts foi possível manter a luta política ativa, continuar o processo de aprendizagem escolar, fortalecer a identidade dos grupos e ainda estabelecer redes de cuidado para acolher os companheiros e companheiras em sofrimento mental. Ações de solidariedade apareceram em diversos relatos, com distribuição de cestas básicas e arrecadação de livros. No campo ainda foram relatadas experiências produtivas com base na agroecologia.

No segundo momento da roda de conversa, foi a vez de ouvir as sugestões para a atuação da CESE junto às juventudes. A equipe da Coordenadoria Ecumênica da CESE recebeu, entre outros, as seguintes propostas: realização de processos de formação para juventudes; apoiar grupos de jovens comunicadores; investir em projetos de jovens para jovens; fortalecer juventude trans, projetos de agroecologia e comercialização de produtos e debates sobre racismo; promover intercâmbios entre juventudes de diversos territórios; estruturar oficinas de comunicação como ação política. Essas sugestões estão sendo sistematizadas em um relato com devolutiva da CESE sobre as propostas para envio aos grupos participantes. Também poderá subsidiar a organização em ações futuras.

 

Próximos passos

A partir desse processo de escuta, a CESE, está no momento, entrando em contato com organizações e coletivos para o envio de projetos de fortalecimento das juventudes. Os apoios poderão ser em áreas como: formação, incidência, comunicação, como encontros, cursos, oficinas, campanhas, produção comunitária, publicações, mobilizações, articulações e intercâmbios.

No dia 20 de outubro, será realizado um webinário voltado a organizações convidadas, para perguntas e respostas sobre questões envolvendo a submissão das propostas.

Participaram da roda de diálogo os seguintes grupos: Coletivo de Juventude Pesqueira do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais; Coletivo de Juventude do Movimento Sem Terra; Coletivo de Juventude do Movimento Sem Teto da Bahia; Levante Popular da Juventude; Fojupe – Fórum de Juventude de Pernambuco; Juventude Tupinambá de Serra do Padeiro; Secretaria de Juventude da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas; Juventude da Articulação Nacional Quilombola; Coletivo LGBT Sem Terra; Coletivo Incomode; Coletivo de Juventude do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará; Coletiva de Mídia Negra – Revista Afirmativa; Articulação de Jovens Negras Feministas; Juventude do Ilé Axé Torrun Gunan; Juventude do Alaketú Ásé Omi Niwá; Rede Ecumênica da Juventude; Juventude da Aliança de Batistas do Brasil; Grupo de Trabalho da Juventude da Articulação Nacional de Agroecologia; Articulação de Juventude do Cerrado; Coletivo Regional das Organizações da Agricultura Familiar da Paraíba.